Genebra teve um sonho longo naquela noite.
No sonho, ela via Jonas. Ele voltava coberto de ferimentos, mas ao vê-la, exibia aquele mesmo sorriso que ela guardava na memória.
Era um sorriso amável e gentil.
Genebra correu em sua direção, amparando Jonas com todo o cuidado, os olhos transbordando aflição.
— Professor Saramago, que bom que o senhor voltou.
Jonas sorriu, mas logo sua expressão mudou ligeiramente.
— Genebra, me perdoe. Eu não consegui trazer o Gaspar de volta.
Genebra estancou.
Jonas apontou para trás de si, onde Gaspar jazia coberto de sangue.
Estava completamente sem vida.
Genebra acordou de súbito, com o dia já claro lá fora, e o corpo ensopado de suor frio.
— Sonhos são o contrário da realidade. — Murmurava Genebra, repetidamente.
Ela fez uma pausa, tentando se convencer.
— Não, o Professor Saramago com certeza vai voltar.
Os dois pensamentos a puxavam em direções opostas, ameaçando despedaçá-la.
Ela ligou para os números conhecidos, mas nem Jaime nem Gaspar atenderam.
Não podia continuar ali parada, ou enlouqueceria.
Decidiu sair para procurar Luana.
Ao ouvir o relato do sonho, Luana riu na hora.
— Não tenha medo. O caráter do Gaspar pode não valer nada, mas a capacidade dele é inquestionável. Ele com certeza trará Jonas de volta. E você diz que Gaspar se machucaria? Isso é ainda mais impossível. Com a posição que ele tem, como ele se arriscaria pessoalmente na linha de frente?
O coração de Genebra voltou ao lugar; o que Luana dizia fazia sentido.
Gaspar ajudá-la a salvar Jonas já era o limite.
Como ele arriscaria a própria vida?
Nem ela, nem Jonas, tinham peso suficiente para isso.
Depois de conversar com Luana, Genebra sentiu-se um pouco melhor.

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