O rosto de Noriel também escureceu.
— Eu nunca quis roubar nada.
— É mesmo? — Gaspar não acreditou nem por um segundo, levantando as pálpebras lentamente para encará-lo. — Então o que está fazendo agora?
— Tenho respeito pela Genebra. Já que ela vai ficar solteira em breve, tem o direito de escolher a melhor opção.
Gaspar riu de raiva.
— Melhor opção? E você se considera a melhor opção?
O tom sarcástico deixou Noriel sem jeito, e ele retrucou irritado.
— Genebra deveria estar fazendo a recuperação pós-operatória.
A frase de Noriel fez o ar ao redor solidificar-se.
A expressão de Gaspar tornou-se assustadoramente sombria, como um demônio vindo do inferno.
— Eu não vou deixar nada acontecer com ela.
Noriel achou graça.
— Mas quem sempre causou mal a ela foi você.
Se não fosse por ele, Amália Villar não teria atormentado Genebra, e Débora Pacheco não teria tido a chance de feri-la.
Tudo o que Genebra sofria agora era por culpa dele.
Genebra demorou propositalmente no banheiro; realmente não queria ver aqueles dois.
Especialmente quando estavam juntos, soltando faíscas inexplicáveis.
Ela não era narcisista a ponto de achar que brigavam por ela.
As posições de Noriel e Gaspar geravam um conflito natural.
Ela era apenas o pretexto.
E não queria ser o pivô daquela disputa.
Quando Genebra saiu, viu apenas Gaspar.
Ele estava encostado na parede, de olhos baixos, perdido em pensamentos.
— Onde está o Noriel? — Genebra franziu a testa e aproximou-se, com um tom agressivo, como se o questionasse.
Gaspar parou, levantou os olhos para ela e soltou uma risada repentina.
— Você se preocupa tanto assim com ele? Acha que eu o comi?

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