Genebra hesitou, e seu olhar esfriou.
Ele não queria soltá-la; seria verdade o que Priscila disse? Que ele temia que ela fugisse e encontrasse a medula para sobreviver?
Queria mantê-la por perto até que ela morresse?
— Por que demorou tanto? Está se sentindo mal? — A preocupação nos olhos de Gaspar parecia genuína.
O ódio no coração de Genebra vacilou.
Talvez Priscila estivesse mentindo.
Afinal, os sentimentos de Priscila por Gaspar nunca foram normais.
Esse pensamento assustou Genebra; estaria ela buscando desculpas para ele?
— Tudo bem? — Roger aproximou-se, notando a palidez dela. — Está doente? Quer ir ao Hospital Universitário?
O hospital ficava ao lado; Gaspar fizera estágio lá.
Genebra negou, forçando um sorriso.
— Estou bem. Vamos comer.
Roger a examinou e, convencido, assentiu.
— E a Priscila?
Genebra baixou os olhos.
— Disse que não estava bem e foi embora.
Gaspar observou a expressão dela e apertou os lábios.
— Não vamos esperá-la. Vamos comer.
Genebra olhou para ele; parecia realmente não se importar com Priscila.
Seus cílios tremeram.
O almoço seguiu com um clima melhor.
Roger conversava com Genebra, enquanto Gaspar servia os pratos dela e a bebida de Roger.
Tinha aula à tarde, então Roger apenas bebericou sua bebida, satisfeito.
— No próximo feriado, vão lá em casa. A Sra. Saramago fará um banquete. Gaspar, beberemos algumas doses.

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