A voz de Priscila continuava ecoando no banheiro.
— O Benício é um canalha... Só apontei o quarto e ele foi correndo como um cão no cio. Hahaha!
A arrogância de antes transformou-se em desespero.
Priscila jamais poderia deixar Gaspar saber; ele a mataria.
Avançou desajeitada para pegar o celular, mas Genebra esquivou-se e sacou um objeto.
Priscila estancou.
O cabo do pente de Genebra havia sido removido, revelando um furador pontiagudo.
A ponta estava a centímetros do olho de Priscila.
— Diga-me, o Professor Azevedo aceitaria uma aluna caolha? — Perguntou Genebra, sombria.
Priscila suou frio, mas tentou manter a postura.
— Se me machucar, meu irmão acaba com você.
Genebra riu com escárnio.
— Ele já acabou comigo. — Deu de ombros. — Eu vou morrer em breve mesmo.
Sua calma transparecia uma loucura resignada que aterrorizou Priscila.
Priscila não ousou avançar, acreditando que Genebra furaria seu olho, mas olhava fixamente para o celular, com os olhos marejados de raiva.
— Diga ao Professor Azevedo que desistiu do mestrado. — Ordenou Genebra.
— Por que faria isso? — Priscila recusou. — Lutei muito para voltar ao Brasil, não vou desistir!
Amália queria casá-la com Benício, por isso ela se escondeu no exterior.
Agora que Benício estava arruinado, ela podia voltar sem medo.
Genebra bufou.
— Não vai falar? Tudo bem, deixo o Gaspar falar por você.

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