Gonçalo recebeu um chute brusco, mas, como praticava esportes frequentemente, usou a força do impacto para rolar no chão.
Isso evitou que ele se machucasse, mas o deixou coberto de sujeira.
Genebra ficou furiosa e empurrou Gaspar,
— Você está louco?
Agredindo os outros sem motivo algum.
Genebra estava prestes a se aproximar para verificar como Gonçalo estava, quando sentiu um peso na cintura e foi imobilizada contra o peito de Gaspar.
Genebra cruzou o olhar com os olhos escuros de Gaspar, nos quais uma tempestade se formava, pronta para explodir a qualquer momento.
Claramente, quando haviam se despedido há pouco, Gaspar não estava daquele jeito.
Havia se encontrado com Débora e agora voltava sendo tão hostil com ela.
Genebra queria xingá-lo, mas temia que ele causasse um escândalo ali; já era humilhação suficiente.
Ela mordeu o lábio inferior com força, com um rastro de ódio no olhar.
A expressão de Gaspar fechou-se ainda mais, enquanto ele lançava um olhar enviesado para Gonçalo sentado no chão.
Gonçalo ergueu os olhos para encará-lo, não com a mesma ternura que demonstrara por Genebra, mas sim repletos de provocação.
A rivalidade masculina estava prestes a estourar.
No instante em que Genebra virou a cabeça, Gonçalo reprimiu imediatamente a hostilidade em seus olhos, tornando-se mais suave e até mesmo um pouco digno de pena.
Genebra sentiu-se culpada. Não via Gonçalo há anos e, no primeiro encontro, ele acabou envolvido numa confusão por culpa dela.
— Gonçalo, você está bem?
Gonçalo, sentado no chão esfregando o cotovelo, respondeu,
— Estou bem.
Mas ele não parecia bem. Tentou se levantar, vacilou e acabou caindo sentado de novo.
Gaspar observou todas as mudanças na expressão dele e soltou um sorriso de escárnio.
Genebra lançou um olhar cortante para ele, como se dissesse que a culpa era toda dele.
Gaspar riu de raiva,
— Você não percebe que ele está fingindo? Ele sempre foi muito bom nisso.
Genebra franziu a testa,
— Você chutou com toda a sua força, não foi? Deixe que ele te dê um chute para ver se dói ou não!
— Genebra! Você está defendendo um estranho em vez do seu próprio marido! — Gaspar estava sem saber o que fazer de tanta raiva.
Genebra afastou-o com um empurrão, com uma expressão azeda.
Caminhou rapidamente até Gonçalo e o ajudou a se levantar,
— Gonçalo, você está bem? Vou levá-lo à enfermaria para dar uma olhada.

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