Depois da declaração de Gaspar, Genebra manteve-se em silêncio, recostada na porta.
Embora seus olhos não pudessem alcançá-lo, ela percebia que Gaspar não havia ido embora.
De fato, no corredor, Gaspar permanecia imóvel.
Repousando a mão na madeira maciça, de cabeça baixa, ele tentava imaginar Genebra do outro lado, como se as portas se tornassem translúcidas.
A ida à Universidade Rio das Artes naquele dia trouxera uma nítida alegria a Genebra.
Por um mero instante, ele acreditou estarem de volta aos tempos da faculdade.
Quando ele intercedeu a favor de Genebra perante o Professor Azevedo.
Como Gonçalo sempre demonstrou interesse por ela, Gaspar fez questão de acompanhá-la em todos os eventos do Clube do Amor, buscando separar os dois.
Mesmo quando Genebra perdeu a paciência com ele por causa de Gonçalo, Gaspar encontrou conforto naquela sua versão tão expressiva, em oposição à apatia diária.
Ele preferia se enganar, jurando que Genebra só estava lhe castigando com seus acessos de raiva.
Tudo acabaria bem.
Ele consolava a si mesmo.
Bastava que viajasse aos Estados Unidos e trouxesse o doador de volta, são e salvo.
E tudo voltaria ao normal.
— Deixarei guarda-costas cuidando de você. Você pode ir aonde quiser, mas deve levá-los junto pela sua própria segurança.
Do interior, nada além do silêncio.
Gaspar moldou os lábios num sorriso triste e fez menção de se virar, até que o som da fechadura destrancando reverberou e ele girou os calcanhares depressa, encarando o olhar enigmático de Genebra.
O seu semblante repousava plácido, despido de emoções.
Transcorreram segundos intermináveis antes que Genebra inquirisse abruptamente,
— O que você me perguntou hoje, eu também desejo te perguntar. Gostaria de voltar aos tempos de faculdade?
Ela mesma desconhecia a razão de expor uma dúvida tão fútil.
Gaspar jamais a amou de verdade, tampouco sentiria falta de um passado universitário juntos.
Talvez a visita ao antigo campus tenha remexido tantas memórias esquecidas.
E as lembranças perpetuadas naquelas fotografias.
Nos registros, o olhar de Gaspar ostentava algum fiapo de amor por ela, não é?
Os dedos tremulantes de Genebra se apertaram contra a palma de sua mão, forçando uma dose de compostura sobre o seu corpo trêmulo.
Oh, Genebra, essa é a única vez, só para que a sua versão do passado possa, afinal, encontrar a tão merecida paz.
Gaspar fitava Genebra, atônito.

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