Genebra encontrou o olhar dele e, após um momento, seus olhos se curvaram em um sorriso,
— Está bem.
Gaspar ficou brevemente hipnotizado pelo sorriso dela. No segundo seguinte, uma pequena e fria mão tocou a dele.
Genebra falou com a voz suave,
— Eu quero voltar para Mirante do Vale.
Gaspar ficou surpreso por um momento, mas deixou-se contagiar pelo sorriso,
— Claro.
Quando Genebra voltou para Mirante do Vale, assim que abriu a porta, viu Priscila.
A garota vestia uma camiseta enorme, com as pernas apoiadas na mesa de centro, e segurava uma tigela de cerejas. Os cantos de sua boca estavam manchados com o suco vermelho, dando-lhe uma aparência que misturava inocência e sensualidade.
Priscila exclamou alegremente,
— Irmão!
Mas o sorriso radiante de Priscila desmoronou instantaneamente ao ver Genebra. Ela esticou o pescoço, tentando olhar atrás da mulher.
Genebra lançou-lhe um sorriso frio,
— Gaspar voltou para a empresa.
Priscila revirou os olhos de forma exagerada, recostou-se novamente no sofá e continuou a comer suas cerejas, ignorando-a.
Genebra cruzou os braços,
— Você foi à escola, não foi? O que você e seu irmão têm se chama incesto.
Por mais lenta que fosse, ela percebia as intenções de Priscila. A garota vestira propositalmente uma camiseta larga de Gaspar e ficou esperando por ele em casa.
Era simplesmente nojento.
Priscila soltou um riso de desdém, sem se importar, e lançou um olhar de esguelha para Genebra,
— Meu irmão e eu não temos nenhum laço de sangue. Eu sou adotada.
O sorriso no rosto de Genebra congelou.
Como se tivesse descoberto um continente novo, Priscila sentou-se bruscamente, com os olhos brilhando,
— Meu irmão nem sequer te contou isso? Que interessante, Genebra. Por que você tenta se fazer de superior na minha frente? Para o meu irmão, você não passa de uma estranha com alguma utilidade.
Essa última frase atingiu Genebra em cheio.
Mais do que uma estranha, ela era uma verdadeira inimiga.

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