Aquela frase caiu como um balde de água fria.
Gaspar esfriou na hora; ele nunca fora um homem de desejos desenfreados.
Mesmo quando começaram a vida íntima, ele conseguia se controlar.
Quando Genebra se machucou, ele resolvia sozinho.
Mas depois de tanto tempo sem vê-la, ele estava realmente no limite.
Com o álcool de hoje, a sensação subiu e ele sentiu que ia explodir.
Mas a atitude fria de Genebra o desagradou profundamente; ele sorriu com escárnio.
— Eu tenho nojo da sujeira lá de fora.
— E eu tenho nojo da sua sujeira! — Genebra retrucou na hora.
Os olhos de Gaspar ficaram vermelhos, e então ele pensou em algo.
— Eu já te disse, o filho da Débora não é meu. Eu nunca toquei nela.
Mas Genebra não acreditava mais nessa frase agora.
Ela suspeitava totalmente que Gaspar estava apenas ganhando tempo.
Queria que ela desistisse da denúncia contra Amália.
Genebra o olhou com indiferença.
— Vou processar sua mãe e você vem dormir comigo? Consegue dormir sabendo que ela vai saber?
Genebra sempre fora comedida, falava de jeito manso; Gaspar ouvia palavras tão rudes da boca dela pela primeira vez.
Ficou atônito, mas logo sentiu um pingo de interesse.
De repente, achou que aquela Genebra lembrava um pouco a da época da escola.
Vivida, vibrante, suave mas com espinhos.
Mas, nestes últimos anos, a vida nos olhos de Genebra fora desaparecendo pouco a pouco.
Como se tivesse virado uma boneca de madeira.
À mercê dos outros.
— Ela e eu somos diferentes. — Disse Gaspar.
Genebra parou.
— O que quer dizer?
Gaspar colocou uma mecha de cabelo dela atrás da orelha.
— Você não procurou seu bom Noriel para arranjar um advogado?
O tom era de puro ciúme.
Genebra ficou alerta.

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