As unhas de Genebra cravaram na palma da mão, mas ela não demonstrou nada.
Talita adiantou-se e segurou o braço de Genebra, dizendo baixo para só as duas ouvirem:
— Desculpe, eu não a convidei. Eles vieram sem ser chamados.
Genebra apertou os lábios e balançou a cabeça; claro que não culparia Talita.
Embora Débora tivesse ganhado alguns prêmios internacionais, sua fama no país precisava de um empurrão.
Esse tipo de artesanato tradicional era dominado por poucos no exterior.
Era fácil para Débora se destacar lá fora.
Mas no mercado interno, herdeiros de marcas tradicionais precisavam mostrar resultados.
Talita disse ao telefone que a exposição era de alto nível; Gaspar não perderia a chance de promover Débora.
Genebra já esperava encontrar Débora, mas tinha confiança de que conseguiria.
Profissionalmente, ela sempre confiava em si mesma.
Talita sorriu levemente para Gaspar e Débora e levou Genebra direto para seu escritório.
Essa preferência clara, ignorando Débora, fez um brilho cruel passar pelos olhos dela. Mas ao virar-se para Gaspar, Débora fez-se de coitada:
— Gaspar, Genebra veio. Será que perdi a chance? Vejo que ela se dá muito bem com a família Duarte.
Genebra ouviu e riu por dentro. Sabendo que não podia competir, Débora queria insinuar que Genebra estava usando conexões?
Mesmo se usasse, era mérito dela.
Genebra nunca teve receio de usar os recursos que tinha.
E que moral Débora tinha para falar dela?
Ela não dependia dos recursos de Gaspar também?
Mas ali era território da família Duarte, Genebra não podia passar por cima da anfitriã para humilhar Débora.
Fingiu não ouvir, mas a voz de Gaspar penetrou em seus ouvidos.
— Ninguém pode roubar o que é seu.
Essa frase foi como uma agulha no coração de Genebra.

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