Alguns designers assistentes foram mandados por ela para comprar café, buscar roupa na lavanderia, e ela ainda reclamava de tudo, chegando a fazer gente chorar. Ninguém a suportava.
Todos esperavam que ela passasse vergonha nessa exposição.
Agora, vindo alguém de fora para ofuscar Débora, eles achavam ótimo.
Por isso, não sentiram tanta aversão à chegada de Genebra.
Afinal, o inimigo do meu inimigo é meu amigo.
— O grupo foi montado justamente para este projeto. Não importa quem é de dentro ou de fora.
— É verdade. Como vamos expor em nome da galeria, se fizermos sucesso, o mérito é da galeria. Somos todos uma família, para que essa divisão?
— Eu acho é que tem gente querendo aparecer sozinha. Sra. Braga, é melhor ficar atenta para que ninguém nos ofusque depois.
Débora paralisou, não esperava que aquelas pessoas lhe dessem uma lição logo agora.
Ficou roxa de raiva.
Talita esperou todos terminarem os cochichos para levantar a mão, fingindo impedir.
— Tudo bem, estamos todos aqui pelo projeto. Vamos focar a energia nas obras e não nos distrair com bobagens.
Isso parecia imparcial na superfície.
Mas todos entenderam que o recado era para Débora parar de criar caso.
Débora, sem ter onde esconder a cara, olhou com ódio para Genebra. Tudo culpa dela, que não disse uma palavra e saiu ganhando.
E aquela Talita, burra demais, sendo usada por Genebra.
Débora riu frio por dentro, mas logo ajustou a expressão.
— Sra. Braga, então vamos começar. Todos se prepararam há muito tempo, não há problema se os designers da casa começarem, certo?
Ela olhou para Genebra.
— Já que você tem tanta confiança, fale por último. Encerre com chave de ouro.
Genebra não sabia o que ela estava tramando, mas achou mesquinharia discutir por isso e colocar Talita numa saia justa.

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