Genebra sinalizou para o assistente que empurrava a garota levá-la para um canto.
Embora não fosse o melhor ponto de observação, era tranquilo e permitia ver por um ângulo diferente.
— Uau, aquele vaso de cristal translúcido parece um mundo de fadas! — A garota disse animada. — Você é a designer? É incrível mesmo!
Qualquer designer se sente bem ao ser elogiada tão diretamente.
Genebra ficou mais falante.
— Quando montei a exposição, escolhi este lugar especialmente para ser visto por quem tivesse afinidade com a obra.
Ela agachou-se para olhar a garota.
— Fico feliz que tenha gostado.
A garota sorriu, mas logo seus olhos marejaram.
— Se eu não tivesse ficado doente, queria estudar pintura também. Na verdade, passei na faculdade de Belas Artes, mas tive que trancar por causa da doença.
Um traço de melancolia passou pelos olhos dela. Não sabia por que, mas sentia uma grande afinidade com Genebra e quis falar mais.
— Genenra, eu fiz tratamento, mas não funcionou bem. Estou esperando um transplante de medula óssea. Se esta cirurgia não der certo, eu vou...
Ela não terminou a frase, mas todos entenderam.
Genebra sentiu um aperto no coração. Ao ver a aparência da garota, já desconfiava, mas não esperava que tivesse a mesma doença que ela.
Mas parecia mais grave.
Genebra olhou para ela e sentiu como se visse seu próprio futuro. Doeu.
Comovida, ela acariciou a mão magra da garota.
— Vai ficar tudo bem.
A garota pareceu receber um grande incentivo.
— Obrigada.
— Marta! — Um homem de meia-idade aproximou-se. — O que faz aqui? Sua mãe está te procurando.
Marta Nogueira mostrou a língua, um gesto jovial de garota.
— Fiquei interessada nesta pintura interna e vim ver. Desculpe, pai.
— Tudo bem, vamos voltar. — O homem acenou levemente para Genebra em agradecimento.
Genebra levantou-se e sorriu de volta. Então, pensou em algo, pegou um pequeno artesanato e entregou a Marta.
— Desejo que você se recupere logo.

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