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No Dia do Luto — Traição romance Capítulo 239

A mesa de jogo foi retirada às pressas e, no lugar, colocaram uma mesinha redonda, preta. A iluminação do salão se tingiu de vermelho-escuro, como sangue já coalhado.

— O jogo é simples: jokenpô. Melhor de três. Quem ganhar, vive; quem perder… — o crupiê fez um gesto seco, passando a mão pelo pescoço.

De tão tensa, Lúcia sentiu o estômago se contrair, numa pontada surda.

Ela tentou encarar Antônio com calma e percebeu que ele a fitava com uma concentração que ela nunca tinha visto.

— Lúcia — Antônio aproximou a boca do ouvido dela e murmurou —, eu vou jogar papel.

— Antônio…

As pupilas de Lúcia se contraíram; por um instante, ela não entendeu.

Ele queria que ela vencesse?

Mas, se ela vencesse, ele morreria.

… Eles estavam apostando a própria vida.

Ou então — Lúcia deixou o pensamento escorregar para o lado mais sombrio — aquilo não passava de uma armadilha: um truque de Antônio para explorar a natureza humana e enredá-la.

— Você confia em mim? — ao ver o olhar dela vacilar, Antônio perguntou de novo, em voz baixa.

A pergunta entrou em Lúcia como uma lâmina.

Ela nunca tinha realmente pensado nisso. Mesmo nos dias em que mais amou Antônio, ela parecia nunca ter confiado nele.

Porque não queria confiar em ninguém. Nunca recebera o amor inteiro de pessoa alguma, e não esperava que alguém tão egoísta e frio quanto Antônio pudesse ser diferente com ela.

— Eu não confio em você — disse Lúcia, por fim, com frieza.

Por um instante, houve desolação nos olhos de Antônio. Mas não lhes deram tempo: o crupiê ergueu a mão de imediato.

— Três, dois, um!

— Joguem!

As mãos de Antônio e Lúcia se abriram ao mesmo tempo.

Sem pensar, Lúcia jogou papel.

Capítulo 239 1

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