A raiva de Waldir Fontes não diminuiu. Ele arreganhou os dentes e esbravejou.
— Você deixou a minha filha naquele estado, qual o problema se eu bater em você?-
Valentina se levantou de um salto e ergueu a palma da mão para revidar.
No entanto, a mão balançada no ar foi segurada por uma mão grande.
Ela virou o olhar surpresa e seus olhos encontraram os olhos vermelhos de Heitor, em seguida, ouviu a voz supressiva dele.
— Já chega!
Valentina ficou tão chocada que não havia palavras para descrever.
— Ele me bateu!!
Heitor apertou os lábios finos, seus olhos ocultando emoções profundas e insondáveis.
Valentina estava indignada: — Heitor, ele me bateu.
Ela achou que Heitor estava atordoado com o acidente daquele dia, que repetir a palavra-chave poderia acordá-lo para lhe dar proteção como ele fazia no passado.
No entanto, Heitor estava com o rosto imparcial e rígido: — Você mereceu apanhar.
— Heitor?
— Quando se faz algo errado, deve-se ser punida.
Waldir Fontes acenou com sua mão grande: — Alguém, tragam a assassina para o carro e mandem-na para a delegacia.
— Não! — Heitor a bloqueou, com o rosto sombrio.
Waldir estava morrendo de raiva: — Heitor, a sua mãe foi vítima e está à beira da morte. A minha filha teve a cabeça quebrada sangrando e sofreu um ataque epiléptico induzido. A Valentina cometeu um crime criminal grave, é impossível deixarmos isso passar.
— Me dê algum tempo. Eu vou resolver isso. — Heitor rangeu os dentes.
Waldir perguntou: — Quanto tempo?
— Três dias.
— Heitor, está combinado. Três dias é o limite. O tio vai esperar pela sua explicação.
Vendo Waldir e Ricardo irem embora, o brilho nos olhos de Valentina acendeu-se novamente.
Ela segurou a mão de Heitor e a levou ao seu próprio peito, sentindo a temperatura que a mão grande lhe passava, enquanto também usava o próprio calor do corpo para transmitir seus verdadeiros sentimentos a ele.
— Eu não vou te culpar. Eu sei, eles estão te ameaçando com o divórcio, se você não concordar, eles vão me prender. Você está com medo de eu sofrer na cadeia, está fazendo isso para me proteger.
No momento seguinte.
A mão grande apoiada em seu coração foi puxada.
Os olhos de Valentina seguiram o movimento da mão, e sua visão voltou-se para o rosto de Heitor.
— Então eu te digo, o divórcio é inevitável.
— Heitor, o seu amor por mim é tão superficial assim? Não consegue resistir nem a este pequeno teste?
O olhar de Heitor escureceu, e os cantos dos lábios em seu rosto belo e sombrio se ergueram.
— Certo, está se achando tanto que já se atreve a tentar me dominar.
Depois de dizer isso, virou as costas e foi embora.
Caminhou rapidamente até o jardim.
O mordomo Alfredo veio ao seu encontro e perguntou: — Sr. Guimarães, como devemos alojar a senhorita Valentina?
— Não se importe com ela!
Alfredo tinha um rosto redondo e claro como um pãozinho no vapor, e um sorriso muito amigável.
— Quer dizer que não é para dar comida a ela, nem para arrumar uma cama?
— Faça como achar melhor!
Alfredo ficou em dificuldade, curvando suas velhas costas: — Se não arranjarmos comida para ela, a saúde... ela não vai aguentar.
Heitor rangeu os dentes: — Não vai morrer de fome!

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