A galeria de arte estava movimentada com o vaivém das pessoas.
Após concluir a compra, Gregório desceu as escadas.
Celeste, sem pensar duas vezes, correu atrás dele.
— Gregório, espere.
Mesmo caminhando o mais rápido que podia em seus saltos altos, ela quase não conseguia alcançar os passos longos dele.
Ao pé da escada, Gregório virou-se.
O carro já estava estacionado diante dele, e Mateus acabara de sair para abrir a porta.
Celeste não viu sinais de Dulce, mas também não se importou. Olhou fixamente para os olhos profundos do homem:
— Aquela antiguidade pertence à Família Lopes. Era o dote da minha avó.
— Certo, e daí?
O tom de Gregório não mostrava a menor alteração emocional.
Ela pôde perceber que ele não via problema nenhum em dar o dote da avó dela para Dulce.
Aquela atitude de quem achava tudo perfeitamente normal feriu os pulmões de Celeste como uma punhalada.
Ela sentiu o impulso de brigar ferozmente com ele, mas o olhar gélido de Gregório serviu como uma lâmina a lhe trazer de volta à sanidade.
— Você pode dar qualquer coisa a ela. Pode buscar as estrelas ou a lua para Dulce, isso não me diz respeito. Mas as coisas da Família Lopes... isso eu não posso aceitar. — Ela respirou fundo, tentando suavizar o tom de voz. — Gregório, eu nunca te pedi nada, mas, desta vez...
Tentar peitar Gregório claramente não seria uma atitude inteligente.
Diante de um homem que não a amava, como ela poderia achar que gritos ou ameaças dariam algum resultado?
Gregório raramente via aquele lado de Celeste.
A mão dela, caída ao lado do corpo, cravava inconscientemente as unhas na própria pele, com tanta força que a ponta dos dedos ficava branca.
Era uma mania que ela só demonstrava quando estava muito tensa ou com os nervos à flor da pele.
Ele observou a expressão de Celeste e respondeu, sem pressa:
— Esse assunto requer a permissão da Dulce. O presente já foi dado, agora é dela.
Celeste sentiu suas forças esvaírem-se de repente.
Era como se pedaços de gelo tivessem sido forçados garganta abaixo.
Causando-lhe um calafrio que gelou até os ossos.
Isso significava que ele queria que ela implorasse a Dulce?
Para recuperar uma herança da Família Lopes, ela teria de rastejar pela esmola da amante?
Celeste mal conseguia focar o olhar no homem à sua frente. Eles já haviam prometido viver uma vida tranquila juntos, Gregório já havia cuidado dela antes... O que, afinal, o fizera mudar tão drasticamente?
Gregório não esperou pela resposta.
Se até o próprio marido ela fora obrigada a ceder passivamente para Dulce.
Como poderia sequer tentar lutar por um objeto inanimado como aquela herança de família?
Com a cabeça começando a doer, pediu desculpas a David:
— Eu quero ir embora. Acho que não vou conseguir participar dos compromissos de hoje.
David franziu a testa:
— Nada disso importa agora. Eu te levo de volta.
Dizendo isso, virou-se para Gabriel, que estava a poucos passos de distância:
— Diretor Campos, a gente se encontra outro dia.
Gabriel acompanhou Celeste com o canto do olho e apenas acenou com a cabeça.
Os dois entraram no carro e foram embora.
Foi só então que a expressão de Gabriel tornou-se complexa.
Ele nunca imaginou que Celeste seria tão persistente em relação a Gregório; mesmo após ser rejeitada, ela continuou tentando se insinuar, apenas para ser pega em flagrante pela atual dona do pedaço, Dulce.
Se ele não havia visto mal, Celeste tinha até fuzilado Dulce com os olhos agora a pouco.
Como alguém que tentava ser a outra conseguia agir com tanta prepotência?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Nosso Casamento Tinha Prazo
Gregório tem que sofrer correndo atrás da Celeste pra aprender uma lição 😒...
Passou da hora da Dulce quebrar a cara e Gregório ver a burrada que fez, dando apoio total para o chupim Dulce...
Quero ver se a autora vai dar um final feliz para esse embuste do Gregório. Quero ele sofra horrores e acabei na sargenta....
Não aguento mais ver a Celeste passar por tanta humilhação. Alguém quebre as pernas do Gregório, por favor; mesmo que tenha um motivo para ele agir assim, já passou dos limites. Fora que demora demais a atualização, por parte do autor....
Seria muito bom ela encontrar a família e não querer esse Gregório...
Até quando Gregório vai financiar a amante e menosprezar a ex esposas? Passou da hora da amante e Gregório caírem com a cara no chão...
Ela repete o mesmos pensamentos várias vezes. E o mais incrível u.a é prisioneiro e o outro é livre, no final ele teve um motivo muito importante para agir assim e vai querer compensar tudo....
Essa personagem é humilhada apor bens materiais....
Eu adoro histórias assim que a autora humilha a personagem principal por todo história para no final o homem estar apenas sendo enganado ou protegendo ela e acaba perdoado, ainda d põem alguém da família pra ajudar na humilhação, fica o romance perfeito!...
Pq esse tipo de história não da um pouco de amor próprio a mulher e ela encontra alguém q realmente a valoriza??? Só mostra que a mulher não se da o valor, mesmo depois de humilhada ela volta com o cara. Ridículo...