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Nosso Casamento Tinha Prazo romance Capítulo 126

Celeste não dormiu bem naquela noite.

Em seus sonhos, reviveu o momento em que tirou as fotos de casamento com Gregório, no ano em que se casaram.

Gregório era minimalista e não gostava das chamadas formalidades. Não houve cerimônia de casamento. A matriarca da família, sentindo-se em dívida, obrigou Gregório a fazer pelo menos um ensaio fotográfico com ela.

Quando ele concordava com algo, de fato colaborava.

Não importava qual fosse a exigência do fotógrafo, ele não fazia objeções.

Fosse para abraçá-la, acariciar suavemente o seu rosto, ou...

— Diretor Souza, poderia beijar a noiva? — perguntou o fotógrafo.

Naquela época, ela era jovem. Diante do homem que amava, era inevitável que seu coração batesse mais forte.

Ela achou que ele fosse recusar.

Afinal, a relação deles era apenas de respeito mútuo e distante.

Gregório, no entanto, assentiu com calma. Ele se inclinou com naturalidade, virando levemente o rosto para buscar os lábios dela. Ele não gostava de fechar os olhos e ficou apenas encarando o rosto tenso e ruborizado dela, que prendia a respiração.

Ele ergueu uma sobrancelha, de forma despretensiosa.

— Cele, eu sou seu marido. Vamos passar a vida inteira juntos, por que a vergonha?

A vida inteira...

As promessas humanas sempre foram vazias.

Os sentimentos não resistiam a análises, tampouco a provações.

Celeste abriu os olhos abruptamente.

Os cantos de seus olhos estavam úmidos.

Sua expressão, porém, era de absoluta calma e lucidez.

Ainda bem.

Foi ela quem tomou a iniciativa de pôr fim àqueles sete anos de absurdos.

Queimar com as próprias mãos aquilo que outrora fora seu pilar emocional, marcando o distanciamento definitivo de Gregório, havia sido a sua escolha mais implacável.

Ela ergueu a mão calmamente e secou a leve umidade.

Esticou o braço e pegou o celular na mesa de cabeceira.

Abriu o WhatsApp, encontrou o contato de Gregório e, sem a menor hesitação, bloqueou-o.

Em seguida, foi aos contatos e bloqueou também o número de telefone.

Arrancou-o de sua vida por completo.

Ela se sentou e foi fazer sua higiene matinal.

Naquele dia, planejava visitar sua mãe.

A mãe que não acordava há anos, desde o acidente de carro.

Ela ficou sentada em silêncio ao lado da cama por um longo tempo.

Na verdade, sentia-se bastante sufocada.

Celeste assentiu.

E decidiu caminhar um pouco sozinha.

Logo ela avistou o exoesqueleto robótico no estande. Era um produto que ela havia projetado pensando nas dificuldades de locomoção de muitos pacientes paralisados. A patente já havia sido vendida, e a produção em larga escala tinha beneficiado inúmeros pacientes acamados, dando-lhes uma nova chance.

Por isso, na época, ela o batizou de 'New Life', que as pessoas carinhosamente chamavam de Nova.

Nova vida. Ela esperava que milhares de pacientes e suas famílias pudessem afastar as nuvens escuras e saudar um novo começo.

Celeste observava o próprio passado.

E não conseguiu evitar uma profunda emoção.

Aquele robô era a versão que ela mesma havia construído com as próprias mãos.

O protótipo final aperfeiçoado após os testes junto com os professores da Academia.

Naquela época, ela tinha acabado de se casar. Vários professores renomados da Academia Nacional de Medicina haviam ligado, aconselhando-a a ingressar na instituição para aprofundar seus estudos e pesquisas médicas.

Ela pensava em conciliar a carreira e a família, mas, por algum motivo, a carta de admissão nunca chegou. Somado a isso, o rigor da Família Souza no controle de suas noras fez com que a oportunidade se perdesse gradualmente.

Pensando bem agora...

Deixar-se cegar pelo amor era algo imperdoável.

Tinha que quebrar a cara e se estilhaçar para finalmente acordar para a realidade.

Tomada pela nostalgia, ela ergueu a mão e acariciou suavemente a estrutura do robô.

— O que você está tocando aí? Não tem noção das coisas?

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