Celeste não dormiu bem naquela noite.
Em seus sonhos, reviveu o momento em que tirou as fotos de casamento com Gregório, no ano em que se casaram.
Gregório era minimalista e não gostava das chamadas formalidades. Não houve cerimônia de casamento. A matriarca da família, sentindo-se em dívida, obrigou Gregório a fazer pelo menos um ensaio fotográfico com ela.
Quando ele concordava com algo, de fato colaborava.
Não importava qual fosse a exigência do fotógrafo, ele não fazia objeções.
Fosse para abraçá-la, acariciar suavemente o seu rosto, ou...
— Diretor Souza, poderia beijar a noiva? — perguntou o fotógrafo.
Naquela época, ela era jovem. Diante do homem que amava, era inevitável que seu coração batesse mais forte.
Ela achou que ele fosse recusar.
Afinal, a relação deles era apenas de respeito mútuo e distante.
Gregório, no entanto, assentiu com calma. Ele se inclinou com naturalidade, virando levemente o rosto para buscar os lábios dela. Ele não gostava de fechar os olhos e ficou apenas encarando o rosto tenso e ruborizado dela, que prendia a respiração.
Ele ergueu uma sobrancelha, de forma despretensiosa.
— Cele, eu sou seu marido. Vamos passar a vida inteira juntos, por que a vergonha?
A vida inteira...
As promessas humanas sempre foram vazias.
Os sentimentos não resistiam a análises, tampouco a provações.
Celeste abriu os olhos abruptamente.
Os cantos de seus olhos estavam úmidos.
Sua expressão, porém, era de absoluta calma e lucidez.
Ainda bem.
Foi ela quem tomou a iniciativa de pôr fim àqueles sete anos de absurdos.
Queimar com as próprias mãos aquilo que outrora fora seu pilar emocional, marcando o distanciamento definitivo de Gregório, havia sido a sua escolha mais implacável.
Ela ergueu a mão calmamente e secou a leve umidade.
Esticou o braço e pegou o celular na mesa de cabeceira.
Abriu o WhatsApp, encontrou o contato de Gregório e, sem a menor hesitação, bloqueou-o.
Em seguida, foi aos contatos e bloqueou também o número de telefone.
Arrancou-o de sua vida por completo.
Ela se sentou e foi fazer sua higiene matinal.
Naquele dia, planejava visitar sua mãe.
A mãe que não acordava há anos, desde o acidente de carro.
Ela ficou sentada em silêncio ao lado da cama por um longo tempo.
Na verdade, sentia-se bastante sufocada.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Nosso Casamento Tinha Prazo
Pq esse tipo de história não da um pouco de amor próprio a mulher e ela encontra alguém q realmente a valoriza??? Só mostra que a mulher não se da o valor, mesmo depois de humilhada ela volta com o cara. Ridículo...
O melhor dessa história é que a autora põem a personagem para ser humilhada e trocar tudo por dinheiro, ou seja dignidade zero...
Adorando esse livro. Espero que o divórcio da Celeste demore o suficiente para o Gregório descobrir que sua salvadora do sequestro é Celeste. Que esse capítulo seja em breve....