— Uhum. A senhora queria que a gente se divorciasse? — Gregório continuava com aquela mesma postura desdenhosa.
A avó compreendeu a situação de imediato e não fez mais menção à decisão irredutível de Celeste em relação à separação.
Em vez disso, soltou um riso frio: — Lógico que não! Estou avisando: se você ousar tentar se divorciar da Celeste, eu jamais aceitarei que se case com a Dulce. Se há conflitos, resolvam dentro de casa!
— Entendido. — Gregório entregou um gomo da laranja descascada à idosa, exibindo um sorriso descontraído no canto dos lábios.
A velha senhora sabia perfeitamente que ele só estava dizendo aquilo para contornar a situação.
Mas sentia preguiça de continuar discutindo.
Afinal, já beirava os oitenta anos.
A determinação de Celeste para se divorciar não era fingimento.
Além disso, Celeste deixou claro que Gregório sabia da decisão e estava de acordo.
Mas a atitude dele sugeria um total desconhecimento sobre o assunto?
Sua percepção aguçada notou que, muito provavelmente, havia algum ruído ou falha de comunicação causando todo aquele impasse.
Contudo, ela não planejava trazer a verdade à tona.
Se Gregório não achava que o divórcio de Celeste era definitivo, melhor ainda.
Se ambos conseguissem resolver as divergências e reatar o relacionamento, seria o ideal.
Se realmente fosse impossível...
A sua intenção de arranjar um bom pretendente para Celeste não era brincadeira. Assim que a neta por afinidade estivesse amparada e segura, ela informaria Gregório sobre o divórcio. O momento seria perfeito.
Para Gregório não faria diferença saber antes ou depois; ele fatalmente acabaria concordando.
Quando esse dia chegasse, ninguém sairia no prejuízo.
Celeste não foi embora da propriedade ancestral imediatamente.
Ela ainda tinha algumas pendências a resolver.
Ajudou o médico da família a receitar os medicamentos para a idosa e depois deixou as instruções na cozinha para prepararem os remédios.
Durante todo esse processo, ela enviou uma mensagem a Juliana:
— Prepare para mim um Acordo de Renúncia Voluntária de Guarda, o mais rápido possível.
Como estava sem o computador, não conseguia alinhar os termos legais com a devida exatidão.
Ela já havia tomado essa decisão assim que recebeu a ligação a convocando para a mansão ancestral.
Somente o acordo de divórcio não lhe parecia o bastante para ter segurança.
O contrato assinado sete anos atrás não contava com nenhuma cláusula que abrangesse a prole.
A fim de evitar quaisquer infortúnios futuros, ela precisava se antecipar para sanar o problema pela raiz.
Juliana foi rápida; em menos de vinte minutos enviou o arquivo com uma mensagem:
— Qual é a situação? Você vai dar isso ao Gregório? Se ele ler esse acordo, não vai desconfiar que existe uma criança?
Celeste seguiu até o escritório da sala de chá da mansão Souza e imprimiu o documento.
Ela respondeu:
— Vou arranjar um jeito de fazer ele assinar.
Ela não queria correr riscos.
E muito menos arrastar-se num futuro embate contra Gregório pela pequena Laura.

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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Nosso Casamento Tinha Prazo
Pq esse tipo de história não da um pouco de amor próprio a mulher e ela encontra alguém q realmente a valoriza??? Só mostra que a mulher não se da o valor, mesmo depois de humilhada ela volta com o cara. Ridículo...
O melhor dessa história é que a autora põem a personagem para ser humilhada e trocar tudo por dinheiro, ou seja dignidade zero...
Adorando esse livro. Espero que o divórcio da Celeste demore o suficiente para o Gregório descobrir que sua salvadora do sequestro é Celeste. Que esse capítulo seja em breve....