Após entrar, Gregório caminhou enquanto baixava os olhos para desabotoar o paletó, observando Celeste pelo canto do olho:
— Que documento é tão urgente?
Celeste entendeu o que ele queria dizer.
Provavelmente a estava recriminando por aparecer sem ser convidada.
Ele não queria que a identidade dela fosse exposta nem um pouco.
Para não manchar a reputação de Dulce.
Ela deu um sorriso cínico, aproximou-se e colocou o documento sobre a mesa dele. Evitando o olhar de Gregório, apontou para os papéis.
O olhar de Gregório pousou na mesa, lendo o título da primeira página.
Clarificação de Bens Pós-Nupciais.
— Pretendo comprar uma casa para o meu avô usando minhas próprias economias. Vou fazer um financiamento e preciso da sua assinatura para deixar claro que o investimento é exclusivamente meu.
O tom de Celeste foi o mais calmo possível, sem revelar qualquer hesitação.
Se dissesse abertamente que era um adendo aos termos do divórcio, tinha certeza de que Gregório leria cada página minuciosamente.
Isso seria um risco que não podia correr.
Sua única alternativa era usar uma tática indireta.
Gregório lançou um olhar rápido ao contrato, sem dar muita importância:
— Por que fazer um financiamento? De quanto você precisa? Eu transfiro para você.
Ele sabia melhor do que ninguém que Celeste não vinha de uma família estruturada.
A Família Lopes era pequena e sem influência.
Nos últimos anos, fora Celeste quem carregara todo o fardo nas costas.
Não era surpresa para Celeste que Gregório fizesse uma oferta daquelas.
Ela sabia que ele sempre fora generoso nesse aspecto.
Mas, no passado, ela nunca pedia, e ele tampouco oferecia espontaneamente.
Onde não havia amor, não havia cuidado.
Porém, agora, ela precisava de uma justificativa plausível.
O mercado imobiliário da Cidade Imperial era o mais caro do país. Ela sempre trabalhara no setor de emergência de um hospital, sendo uma assalariada comum; ninguém acreditaria que ela tivesse uma grande poupança. Elaborar um contrato sob o pretexto de um financiamento era a desculpa perfeita.
— É para evitar que esta casa se torne alvo de disputas por bens em comum no futuro. Não quero que digam que gastei o seu dinheiro para ajudar a minha família. Prefiro evitar complicações desnecessárias.
Foi então que os olhos escuros de Gregório se fixaram lentamente no rosto dela.
Ela se recusava a usar o dinheiro dele, preferindo carregar o peso de um financiamento.
Após meros dois segundos, ele respondeu com indiferença:
— Como quiser.
Celeste já havia deixado a última página, onde a assinatura era necessária, ligeiramente destacada.
Ele deu uma olhada rápida, mas não assinou de imediato.
Pegou o documento, com a intenção de folheá-lo.
Esse gesto fez o coração de Celeste quase falhar uma batida no mesmo instante.


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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Nosso Casamento Tinha Prazo
Pq esse tipo de história não da um pouco de amor próprio a mulher e ela encontra alguém q realmente a valoriza??? Só mostra que a mulher não se da o valor, mesmo depois de humilhada ela volta com o cara. Ridículo...
O melhor dessa história é que a autora põem a personagem para ser humilhada e trocar tudo por dinheiro, ou seja dignidade zero...
Adorando esse livro. Espero que o divórcio da Celeste demore o suficiente para o Gregório descobrir que sua salvadora do sequestro é Celeste. Que esse capítulo seja em breve....