David também compreendeu as intenções de Dulce.
Vir com tudo para cima deles tão rápido revelava um propósito óbvio demais.
— A Hercore é a Hercore, e o banco de dados é o banco de dados. O que faz você pensar que a Freya faria esse tipo de caridade para você? — Celeste soltou uma risada de escárnio.
— Celeste, isso tem alguma coisa a ver com você? — Dulce não pôde evitar achar graça.
Desde quando era o lugar de Celeste abrir a boca ali?
— Diretor Costa, o senhor sabe, eu lidero uma equipe enorme. Não posso basear minhas decisões apenas na amizade, senão os meus subordinados não me respeitariam. Vou ser direta com o senhor: minha equipe realmente quer renegociar os direitos autorais. Se não houver acordo, precisaremos nos proteger e não teremos outra escolha senão... rescindir o contrato — disse ela ao se levantar, lançando um olhar de falsa pena para David.
Celeste estreitou os olhos.
Aquilo foi um pouco surpreendente.
Ela sabia perfeitamente o quanto Dulce precisava do seu banco de dados.
E agora iria rescindir o contrato só por causa daquele incidente?
David ficou aguardando o que ela diria a seguir.
— Já assinamos um contrato antes e, em caso de quebra, a taxa de direitos autorais não é reembolsada. Que conveniente. Paguei apenas por um ano. Como a Hercore provavelmente terá que lidar com alguma publicidade negativa em breve, considere esse dinheiro como um gesto da minha boa vontade. Tenho certeza de que voltaremos a trabalhar juntos no futuro — continuou Dulce, endireitando a postura.
Ela havia esgotado todo o discurso diplomático.
Celeste percebeu que a intenção de Dulce para aquele dia sempre fora cancelar o contrato.
Provavelmente a história de reduzir a taxa de direitos autorais era apenas um pretexto.
— Então não era para ser. A Sra. Alves não precisa se preocupar. A Hercore não obriga ninguém a fazer o que não quer — disse David, após lançar um olhar de relance para Celeste e ver que ela não demonstrava nenhuma reação.
— Fico feliz que o Diretor Costa compreenda — respondeu Dulce, abrindo um sorriso.
— Isaac, acompanhe a nossa convidada até a saída — ordenou David, não tendo a menor intenção de prolongar a conversa.
— Domingo é o aniversário de morte do vovô. Você vai? Eu e o Gregório vamos chegar um pouco mais tarde — perguntou Dulce, que parecia de bom humor e lançou um olhar para Celeste antes de sair, como se tivesse acabado de se lembrar de algo.
Celeste não esperava por aquela provocação.
Na sua visão, Gilmar Alves já não tinha nenhuma relação com ela, muito menos o aniversário de morte do avô. Os laços entre pai e filha já haviam sido cortados há muito tempo. Além disso, ela agora sabia de um segredo: ela não era filha nem da Família Lopes, nem da Família Alves.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Nosso Casamento Tinha Prazo
Pq esse tipo de história não da um pouco de amor próprio a mulher e ela encontra alguém q realmente a valoriza??? Só mostra que a mulher não se da o valor, mesmo depois de humilhada ela volta com o cara. Ridículo...
O melhor dessa história é que a autora põem a personagem para ser humilhada e trocar tudo por dinheiro, ou seja dignidade zero...
Adorando esse livro. Espero que o divórcio da Celeste demore o suficiente para o Gregório descobrir que sua salvadora do sequestro é Celeste. Que esse capítulo seja em breve....