Sem alterar a expressão, Celeste fechou as portas do armário e se virou com o rosto perfeitamente calmo.
Deparou-se com a Dona Erica, que servia na ala da matriarca.
— Senhora, se não estiver ocupada, por favor, vá se encontrar com a matriarca. — Dona Erica era uma das poucas na Família Souza que tratava Celeste com polidez; ela fez uma ligeira reverência.
É claro que Celeste queria dizer que estava muito ocupada.
Ocupada em destruir a imagem de Dulce.
Mas, sabendo que isso acabaria desmoralizando a Família Souza, optou por não mostrar suas cartas de antemão.
— Certo.
— Celeste, venha logo até aqui. — Chegando à residência principal, a avó Souza acenou para ela.
Celeste se aproximou.
— É de se admirar a sua piedade filial, minha filha. Mesmo nessas circunstâncias, você ainda teve a boa vontade de voltar para o jantar de família e fazer companhia a esta velha senhora. — A matriarca segurou sua mão e deu tapinhas suaves.
— É o meu dever. — Celeste não era tão inexperiente a ponto de não saber manter as aparências.
Sua mente, no entanto, continuava presa ao desaparecimento da certidão de casamento.
Ela não teria se confundido.
Estava claramente guardada naquele armário.
— A vovó também viu o que está acontecendo na internet. — A avó Souza soltou um suspiro profundo.
O leve sorriso de Celeste desvaneceu, e ela olhou para a matriarca.
— Eu sei que você está furiosa, Celeste, mas não podemos esclarecer essa situação publicamente. Gregório e Adolfo são irmãos; isso é uma vergonha para a nossa casa e não deve ser espalhada aos quatro ventos. Pelo bem da reputação da Família Souza, Celeste, peço que você aceite essa injustiça por ora.
Com o rosto carregado de aflição, a avó Souza mantinha a mão de Celeste firmemente entre as suas.
A impotência estava estampada em seu semblante.
Aos poucos, a temperatura no coração de Celeste despencou.
Em um gesto inconsciente, esbarrou na xícara de chá fervente sobre a mesa, derramando o líquido nas costas de sua própria mão.
A pele alva e fina tornou-se vermelha no mesmo instante.
— A senhora quer dizer que eu devo enfrentar isso calada?
A lembrança da certidão de casamento desaparecida veio como um raio em sua mente.
O que mais haveria para não entender?
A matriarca havia recolhido o documento antes.
Se não tivesse nenhuma prova tangível de que era a Sra. Souza, o simples falar da sua boca não bastaria. Aqueles que desconhecessem a verdade só achariam que ela estava louca e obcecada.
Se decidisse tornar sua identidade pública, Gregório a negaria e a Família Souza não responderia; seria apenas uma luta inútil.
Tornaria tudo ainda mais humilhante.
Vendo Celeste derramar acidentalmente a água, a matriarca chamou Dona Erica para limpar a mesa.
Só então continuou seu discurso com um tom paternal:
— Dulce, afinal, esteve noiva de Adolfo. E querendo ou não, ela é a cunhada de Gregório. Nenhuma família tolera esse tipo de escândalo; isso só traria prejuízos à empresa, ao grupo e às ações na bolsa. Celeste, você bem sabe que o que o seu avô mais preza é a harmonia familiar. Se isso chegar aos ouvidos dele, será difícil remediar a situação.
A espinha de Celeste ficou tensa instantaneamente.
Lembrou-se do implacável e sempre carrancudo Diretor Souza.
Celeste mal conseguia decifrar as intenções da avó Souza.
Ao mesmo tempo em que a estimava.
Não permitia que ela sequer cogitasse um novo começo com Gregório?
Mais do que uma compensação dada por livre e espontânea vontade, aquilo parecia um trunfo para mantê-la controlada.
— É claro que, se vocês decidirem não se divorciar, este acordo perderá a validade. A vovó ficaria muito mais feliz se você e Gregório pudessem viver bem. Por que não pensa mais um pouco? — A matriarca expressou pesar.
— Não há o que pensar. — Celeste rejeitou a tentativa da matriarca de retê-la.
Aquele casamento já estava dilacerado e crivado de falhas; ela havia engolido arroz cru por sete anos, e não suportava mais misturar cacos de vidro com as próprias lágrimas para empurrá-lo goela abaixo.
Um brilho veloz passou pelos olhos da matriarca, que enfim soltou um suspiro.
— Se você realmente está decidida a se separar, antes de se casar novamente, mesmo que revele o divórcio para os membros da Família Souza, jamais divulgue o passado entre Dulce e Adolfo.
Celeste permaneceu em silêncio.
Aquela atitude da matriarca.
Preservava as aparências da Família Souza.
Protegia a dignidade de Dulce.
Mantinha a farsa do amor fraternal e a harmonia da linhagem.
O único sacrifício necessário era ela mesma.
Como a dona e senhora da Família Souza, Celeste quase conseguia compreender as preocupações da matriarca.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Nosso Casamento Tinha Prazo
Top demais eu nunca li u livro tão bom assim, parabéns autora👏👏👏👏👏...
Meu pressentimento estava correto esse Vinícius não vale nada nem o que o cachorro enterra...
Porque demora tanto a atualizar?...
Por ser um romance,a autora não trás o romantismo,a história não tem um beijo,um abraço.pra mim é uma história sem ápice.Autora dê mais clímax a história....
Que tudo!!!! Esse capítulo autora😎👏👏👏👏👏...
Torcendo pela restauração da família Celeste Gregorio e Laura ❤️❤️❤️...
Não gosto do Vinícius esse cara não me passa confiança que Celeste passe longe dele...
Vai ser uma sacanagem se essa autora mudar a personalidade do Vinicius para ano final dar ela pra o Gregório que claramente é um homem que não apoiou ela nos momentos de maior necessidade como o nascimento da filha, inventa uma situação pra justificar as atitudes dele....
Estou odiando essa história de Celeste e esse Vinícius que raiva da vontade de parar de lê essa merda 😡...
Esse livro está terrível essa autora é uma decepção colocando esse Vinícius e essa winter no caminho da Celeste e Gregorio que ranço 🤬...