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Nosso Casamento Tinha Prazo romance Capítulo 384

Ao ver a cena do pai e da filha se encarando, Celeste sentiu como se sua cabeça fosse explodir, e um frio subiu de repente pela sua espinha.

Ela conteve ao máximo o impulso de correr e bater a porta na cara dele.

Não podia deixar transparecer nenhum pingo de nervosismo.

Ninguém sabia melhor do que ela o quanto Gregório era difícil de lidar e perspicaz.

Gregório olhou para a garotinha à sua frente, e algo passou rapidamente por seus olhos profundos.

Foi Laura quem falou primeiro, com uma voz baixa e doce:

— Olá, tio.

A pequena era muito educada, e seu rostinho mantinha uma expressão serena, demonstrando uma calma incomum para crianças de sua idade.

Gregório encarou Laura por um longo tempo, até erguer o olhar e encarar os olhos de Celeste, mais atrás.

— Por que a filha do Vinicius está com você?

Sua pergunta soou calma, não revelando nenhuma emoção.

Celeste já havia se aproximado, segurando a mão de Laura e guiando-a para dentro:

— Você veio me procurar para quê?

Ela evitou responder diretamente.

E também era bem estranho.

Desde que ela tinha saído de casa, aquela era a primeira vez que Gregório batia em sua porta.

Mas, pensando bem, se Gregório quisesse saber os passos e as notícias dela, não seria difícil. Encontrar o seu apartamento não era surpresa.

— Posso entrar? — Gregório também não parecia ter pressa em responder à pergunta de Celeste.

Celeste reprimiu a ansiedade e a aversão, dominando perfeitamente a sua atuação de mulher serena:

— Já que você está aqui, essa pergunta é meio desnecessária.

Ela conduziu Laura para dentro.

Laura virou a cabeça para trás, observando Gregório entrar no apartamento com seus passos largos.

É claro que ela se lembrava daquele tio.

Era o cunhado do Luan Alves.

Ela lembrava que, no jardim de infância, a irmã de Luan não tinha sido nada simpática com sua mãe, mas aquele tio tinha agido como se não tivesse visto nada.

Depois, no parque de diversões, ele tinha salvado sua mãe.

Gregório deu uma olhada ao redor e, por fim, fixou o olhar na mesa de jantar.

A comida quentinha já estava servida, junto com duas tigelas de arroz.

Ele havia chegado em um momento bem oportuno, bem na hora do jantar.

Celeste ajudou Laura a se sentar na cadeira e só então se virou:

— Vá direto ao ponto.

Parecia que eles não conseguiam mais conviver de forma pacífica e normal. Sempre que se encontravam, precisavam de um motivo.

Gregório não confirmou nem negou o comentário.

Mas lançou-lhe um olhar profundo.

Celeste não se importou com o que ele pensou ou com a forma como olhou, sentou-se e começou a folhear as páginas.

Em qualquer contrato entregue por Gregório, ela não ousava deixar passar um único detalhe.

Começou a analisar página por página.

Laura, sentada na cadeira, olhou para Gregório:

— O tio pode sentar para esperar. Quer um pouco de água?

Ouvindo aqueles doces 'tio', Gregório percebeu que Laura era uma criança muito educada, mas, a cada vez que ela o chamava assim, as sobrancelhas dele latejavam involuntariamente. Ele virou o rosto para observá-la, notou o quanto a menina era comportada e respondeu com um tom bastante formal:

— Aceito, muito obrigado.

Laura saltou imediatamente da cadeira, correu até a geladeira e pegou uma garrafa de água para Gregório.

Celeste acabou se distraindo por um instante.

Ergueu os olhos e observou aquela cena.

Sendo a única ali presente que sabia da verdade, seus sentimentos estavam completamente fragmentados.

Pai e filha cara a cara, sem se reconhecerem.

Somente ela sentia o coração bater descompassado de pavor.

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