Celeste não fazia ideia de como a pequena Laura conseguiu perceber.
Sempre se julgou excelente em disfarçar sentimentos, mas Laura, de alguma forma, capturou o que ela sentia.
Não era tristeza, muito menos um sofrimento dilacerante.
Era apenas a constatação de que, com o acúmulo de tantas adversidades, a única saída era sepultar tudo no fundo do peito, sem direito a qualquer alívio.
— Não, claro que não.
Celeste apertou as mãos de leve, o sorriso assumindo um contorno ainda mais afetuoso.
— Você já tomou banho, meu amor?
A pequena Laura assentiu com a cabeça e esfregou o rostinho contra a tela do aparelho, num gesto mudo de consolo.
— Mamãe, não fique triste. Eu sei que você está mudando de assunto, mas não tem problema. Quando eu voltar para ficar com você, a mamãe vai ser feliz.
Celeste virou a câmera do celular às pressas, escondendo-a contra o peito.
Ergueu a cabeça para tentar deter as lágrimas quentes que insistiam em inundar os olhos.
Mas percebeu que era em vão.
Com todos os turbilhões recentes, por mais resoluta e inquebrável que tentasse parecer.
A realidade é que ela apenas engolia tudo calada.
Além de engolir o orgulho, não havia outra escolha.
Quando as emoções não encontram vazão, fingir que nada ocorreu torna-se a sua única trincheira.
Celeste esfregou o canto dos olhos desajeitadamente com a manga do casaco e voltou a estampar um sorriso.
— Tudo bem. Espere só mais um pouquinho, a mamãe vai trazer você para a luz muito em breve.
-
Por ter sido jogada na beira da estrada durante a noite gélida de ontem, aguardando um transporte por mais de meia hora.
Era inevitável que Celeste desenvolvesse um resfriado.
Contudo, ela nutria uma profunda aversão a medicamentos; quando era mais nova, seu professor a obrigava a provar e decifrar inúmeras ervas curativas, o que resultou em uma rejeição instintiva.
Preferiu resistir na marra por alguns dias até sarar sozinha.
Antes do fim de ano, as obrigações dela na Hercore limitavam-se a garantir a aprovação do novo projeto.
A estratégia consistia em concentrar todos os esforços na expansão da medicina tradicional após o ano novo. Nos tempos modernos, a prática caíra em certo descrédito por múltiplos fatores.
Insumos medicinais de procedência duvidosa, profissionais com capacitações muito divergentes, métodos prescritivos imprecisos e a enxurrada de farsantes no mercado.
Tudo isso forjou uma percepção extremista e dividida do público.
Com uma silhueta alta e pernas compridas, Gregório chamava a atenção absurdamente no meio da multidão. O seu ar aristocrático e absoluto imposto pela montanha de dinheiro era impossível de ignorar.
Ele trazia no colo o pequeno Luana, o irmão mais novo de Dulce, visivelmente doente.
Dulce acompanhava seus passos lado a lado, lendo atenta a via de pagamento.
A representação impecável de uma "família de três" imersa em felicidade.
O homem perfeito que amava também tudo o que tocava sua amada materializava-se brilhantemente em Gregório.
Por idolatrar Dulce, dedicava-se ao irmãozinho dela sem medir limites, fazendo questão de confortá-lo em seus próprios braços na enfermidade.
Talvez porque seu escrutínio fosse incisivo demais.
Gregório virou a cabeça e fitou-a intensamente logo antes de cruzar as portas da pediatria carregando a criança.
Os dois colidiram os olhos por breves dois segundos.
Sem emoção, ele retomou seu percurso original, procedendo como se ela fosse invisível.
Dulce não deixou a troca passar em branco.
Não nutria nenhum receio de que Celeste tivesse um colapso, corresse até eles e desse um escândalo público, reivindicando Gregório como seu marido legal; afinal, Celeste preservava um último resquício de dignidade para não se sujeitar àquela cena grotesca.
Tomada por uma imensa segurança, ela simplesmente entrelaçou de forma natural o seu braço no membro livre de Gregório.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Nosso Casamento Tinha Prazo
Meu pressentimento estava correto esse Vinícius não vale nada nem o que o cachorro enterra...
Porque demora tanto a atualizar?...
Por ser um romance,a autora não trás o romantismo,a história não tem um beijo,um abraço.pra mim é uma história sem ápice.Autora dê mais clímax a história....
Que tudo!!!! Esse capítulo autora😎👏👏👏👏👏...
Torcendo pela restauração da família Celeste Gregorio e Laura ❤️❤️❤️...
Não gosto do Vinícius esse cara não me passa confiança que Celeste passe longe dele...
Vai ser uma sacanagem se essa autora mudar a personalidade do Vinicius para ano final dar ela pra o Gregório que claramente é um homem que não apoiou ela nos momentos de maior necessidade como o nascimento da filha, inventa uma situação pra justificar as atitudes dele....
Estou odiando essa história de Celeste e esse Vinícius que raiva da vontade de parar de lê essa merda 😡...
Esse livro está terrível essa autora é uma decepção colocando esse Vinícius e essa winter no caminho da Celeste e Gregorio que ranço 🤬...
Se Celeste ficar com esse Vinícius para mim não valeu apena lê isso 😏...