Nosso Passado Capítulo Três - 6

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Parte 6...

— Aqui - Diana entregou a bandeja com os pedidos para Anelise levar — Cuidado. Aquela lá morde - disse baixinho.

— Não se preocupe - respondeu e pegou a bandeja sorrindo — Eu sou vacinada.

Ela levou a bandeja até a mesa deles e arrumou os pratos com cuidado e elegância, deixando as taças e talheres na ordem correta. Fez de propósito.

Agradeceu mentalmente as aulas de etiquetas e postura que Haroldo a mandara fazer. Luiza sabia que antes ela não tinha noção desse tipo de coisa e ficou observando-a arrumar tudo.

— Está muito feia essa apresentação - Luiza reclamou empurrando o prato com a comida.

— De novo, você pode reclamar com o dono - inclinou a cabeça — Eu apenas sirvo as mesas. O cozinheiro é o responsável pela apresentação do prato - a encarou — Algo mais... Senhora? - perguntou de modo ousado.

Mathias segurou a vontade de rir diante da expressão da mãe. Fazia tempo que ele não a via assim.

— Ela não tinha essa ousadia antes - Luiza disse quando Anelise se afastou — Não estou mais com fome.

— O tempo passou, mãe - ele olhou para Anelise com melancolia. Suspirou — E você não queria mesmo comer, só estava curiosa sobre ela.

— É normal - fez um gesto com a cabeça — E você não deveria ter lhe dado o emprego.

— Mas eu dei. Ela precisa de dinheiro.

— Tanto faz - encolheu o nariz — Poderia muito bem trabalhar em qualquer outro local.

— Não recomece - ele fechou a cara.

Ele recordou que no passado a mãe a criticava constantemente. Nada era bom.

— Não vá querer intimidá-la - avisou.

Luiza espetou o peixe com o garfo. Não estava gostando da presença dela ali.

— Parece que isso não está acontecendo - ela ergue a sobrancelha — Ela parece bem firme - levou o garfo à boca, mastigando pensativa — Você já conversou com ela para saber mais? Sabe o que ela fez esse tempo todo? - perguntou curiosa — E ela não é casada? É estranho isso... São dez anos.

— Não sei - ele mexeu a cabeça sutilmente — Vai ver ela não conseguiu um substituto - riu de jeito ácido — Você não diz sempre que eu sou especial?

— Digo - ela limpou a garganta — Mas não sei coo uma garota do jeito dela não está casada.

— Não entendi - ele se inclinou para a frente — Não era você quem repetia que ela não prestava?

— Não seja grosseiro, Mathias.

Luiza se preocupou. Ele já começava a dar sinais de rebeldia. Essa recém chegada Anelise não parecia ter medo dela. Ou talvez ainda fosse muito cedo. Tinha que pensar em algo.

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Mathias comeu, mas não sentiu o sabor da comida realmente. Sua atenção estava voltada para ela, Anelise, andando pelo salão, falando com os clientes, servindo as mesas.

Ela parecia a mesma e não demonstrava que isso a incomodava, mas ele sentia que não era. O sorriso dela estava maior, mais seguro. Sua postura agora era altiva. O caminhar era sensual e firme ao mesmo tempo.

Ela não tinha mais aquela timidez e mostrava uma autoconfiança que não existia antes. E isso também

No passado ele tinha levado para a cama uma garota insegura, meiga e inocente. Agora era uma mulher de atitude e mostrava estar com as defesas armadas. Mas isso não o impedia de sentir o

Quando a viu de novo seu coração parecia que ia explodir. Olhando para ela agora, sua pele arrepiava e isso não era bom. Ele não queria cair de paixão por ela de novo. Já tinha aceitado que sua vida seguiria sozinho. Não queria mais problemas.

Luiza não gostou do jeito irônico com que Anelise a olhou na hora em que retirou o pagamento da cartela e sorriu desejando um bom final de tarde. Ela notou que havia outra intenção por trás.

Ela não poderia deixar que as coisas acontecessem como no passado. Se tinha sido forte antes, dessa vez seria mais rígida. Se era dinheiro que precisava, ela lhe daria mais e exigiria que sumisse de novo e não voltasse mesmo.

fosse preciso até compraria a casa velha de sua avó, apenas para que não tivesse nenhuma ponta solta. A

 

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pensando em como Anelise estava bonita no uniforme e em como ouvir sua voz de novo fazia bem aos seus ouvidos, ainda que ela fosse fria com

não trocou uma palavra com a mãe enquanto seguia o mesmo caminho de sempre e nem imaginava que ela estava planejando outro meio de se livrar

mulher que ganhou o coração dele.

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sentiu bem em ver que sua inimiga não declarada ficou abalada ao vê-la. Claro, após tantos anos. Ela até que tentou esconder, mas conseguiu sentir o desconforto de Luiza com sua presença. Era natural que

estranho. Fechado e de poucas