Tutoriais? Emma piscou ao encarar a mensagem exibida em sua tela, inclinando levemente a cabeça. Será que era o mesmo tipo de ‘tutorial’ que Marcus estava assistindo às escondidas mais cedo?
Ela deixou o cursor pairando sobre o link que Aria havia enviado, mas não teve coragem de abrir.
“Aham… claro. Vou ver isso depois… quando estiver em casa”, murmurou, olhando ao redor para garantir que ninguém estivesse prestando atenção. A última coisa que ela queria era viralizar — como Marcus — pelo motivo errado.
Aria percebeu a hesitação e abriu um sorrisinho malicioso. Entendeu na hora: certamente não era algo para se assistir em público.
…
O jantar terminou sem alarde.
Aria foi a primeira a se retirar, dizendo precisar descansar. Quando Emma voltou, Corvin e Marcus já tinham comido e organizado a área comum do lado de fora da área de descanso.
Marcus estava deitado em seu caixão de cristal, deslizando os dedos pelo lightcore. Seu rosto permanecia impassível, mas Emma não conseguiu evitar lembrar do que ele estivera ‘estudando’ antes. Decidiu manter certa distância. Não havia necessidade de criar um clima estranho.
Agora faz sentido ele ser tão habilidoso — pelo visto, fez bastante ‘lição de casa’, pensou ela, entrando na área de descanso. Corvin estava sentado no sofá, com o lightcore projetando um brilho azulado suave sobre seu rosto. Parecia completamente imerso em relatórios.
Algodão Doce, a pequena bola peluda do grupo, espreitava perto do canto, provavelmente planejando mais alguma travessura.
“Oi, Emma. Você voltou”, disse Corvin, erguendo o olhar.
Emma fez um gesto displicente com a mão.
“Continue aí, Corvin. Vou dormir cedo hoje.”
Ela passara o dia inteiro atravessando o ermo em busca de frutas raras. Suas pernas pareciam pesar toneladas.
Corvin assentiu, recostando-se no sofá.
“Entendido. Durma bem, Emma. Marcus e eu ficamos de vigia esta noite. Nenhuma besta chega perto de você.”
“Uhum.” Ela esboçou um sorriso fraco, cansada demais para prolongar a conversa, e sumiu em seu quarto.
…
Do lado de fora, Corvin finalmente abriu o link que Silas havia enviado mais cedo. No instante em que o vídeo começou, surgiu um som tão alto de seu lightcore que ele quase o deixou cair.
Mas que por — Silas! Você só pode estar brincando! Ele se atrapalhou para silenciar o áudio, o rosto ficando vermelho como fogo enquanto o som ainda ecoava no ambiente. Bastou um relance na tela para confirmar: aquilo estava longe de ser material educativo.
No exato momento em que a cena atingia seu ‘ápice’, uma sombra surgiu atrás dele.
“Droga-” Corvin quase entrou em forma bestial quando Marcus apareceu silenciosamente como um fantasma. “Marcus! Que inferno, cara? Andando por aí assim de madrugada? Quer me matar do coração?”
Como esse sujeito se move sem fazer barulho nenhum?
Corvin desligou a tela às pressas, tentando parecer normal. Marcus, porém, não reagiu. Em vez disso, tirou dois núcleos de inseto do bolso e os estendeu.
Corvin piscou, confuso.
“Espere… isso é para quê? Não me diga que você já viu tudo o que o Silas mandou?”
Ele pensou consigo mesmo: Esse cara é um gênio… ou só rápido demais para o próprio bem?

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