“Srta. Tibarn, você já acordou.”
Aquela voz — profunda, rouca, ainda pesada de sono — atravessou seus sonhos sem pedir permissão.
Emma piscou diante da luz fraca. A primeira coisa que viu foi Marcus inclinado sobre ela. Seu cérebro entrou imediatamente em alerta máximo.
“Marcus? O que você está fazendo aqui?”
Algo roçou sua perna sob o cobertor. Seu corpo ficou rígido. A pele dele estava fria contra a dela — fria e nua.
“Estou esperando você se levantar, Srta. Tibarn.”
O timbre baixo da voz dele deslizou por sua pele como fumaça áspera, arrancando-lhe um arrepio.
Antes que ela pudesse reagir, Marcus se moveu e girou o corpo com fluidez, prendendo-a contra o colchão. Seus cabelos prateados caíram à frente, fios macios tocando seu rosto e roçando sua bochecha.
Um braço apoiou-se ao lado da cabeça dela. O outro se ergueu devagar, deliberado, afastando alguns fios soltos do pescoço de Emma. As pontas dos dedos mal tocaram sua pele, traçando um caminho sutil que fez seu pulso falhar.
O corpo dele estava gelado, mas, de algum modo, aquele frio queimava contra o calor dela.
Naquele momento, Marcus não parecia um homem. Parecia um lobo — faminto, imprudente e perigoso.
Só pode ser brincadeira. Isso não pode estar acontecendo agora.
Emma pressionou as mãos contra o peito dele, tentando afastá-lo. O gesto só piorou tudo. O joelho de Marcus deslizou entre as pernas dela, puxando o cobertor para cima. O ar ficou preso em sua garganta.
“Marcus, você-” A voz dela vacilou.
“Srta. Tibarn, consegue sentir?”
O olhar dele se tornou mais intenso. Marcus apertou as pernas ao redor das dela, impedindo qualquer movimento. O frio da pele dele encontrou o calor dela e, então, ela sentiu.
A respiração de Emma falhou. A compreensão a atingiu como um raio.
Ele estava frio em todo o resto — exceto ali. O calor pressionando seu corpo era intenso, sólido e assustadoramente real.
O contorno rígido contra ela pulsava, exigindo atenção.
“Marcus-” Sua voz saiu rouca, presa entre choque e incredulidade.
Meu Deus… ele está falando sério? O período de cio é realmente tão intenso assim? Os pensamentos se atropelaram enquanto o coração dela se recusava a desacelerar.
Marcus se inclinou um pouco mais, observando cada nuance da expressão dela com cuidado.
“Você está satisfeita, Srta. Tibarn?”
Ele parecia absurdamente sério, como se estivesse conduzindo algum tipo de avaliação científica.
Ela parece tão surpresa… Será que isso quer dizer que está satisfeita?, pensou ele. Tudo bem, talvez eu não seja do tamanho do Edric, mas em qualidade devo compensar.
Emma quase revirou os olhos. Ele está mesmo me testando agora? Ele realmente acha que é assim que um vínculo funciona?
“Marcus, saia de cima de mim primeiro.” Os dedos dela se fecharam contra o peito dele, sentindo o batimento firme sob a palma. Dava para perceber que ele estava profundamente no período de cio, e um nó de preocupação se formou em seu estômago. Se ele perder o controle agora, estou encrencada.
“Srta. Tibarn, você ainda não respondeu.” Marcus manteve o olhar fixo no rosto dela, buscando qualquer sinal de aprovação.
A paciência de Emma acabou quando disse:
“Se eu responder, você sai de cima de mim?”
Ele assentiu.
O queixo dela caiu.
“Você entrou na minha cama, nu, logo de manhã… só para me perguntar isso?”
“Sim.” A voz dele continuou calma, como se fosse a coisa mais lógica do mundo. “Achei que talvez você não gostasse. Quis que tivesse uma prévia.”
Prévia… do quê? Quem foi que ensinou esse tipo de coisa a ele? Emma ficou sem saber o que dizer.

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