"A cor desta gema é exatamente como a cauda ofídia do Edric. Usá-la me faz sentir como se ele estivesse aqui comigo. Eu adorei." Damian ficou atônito. Espera, sério? Emma ganhou um colar que mal valia duas moedas estelares. Ela não deveria estar furiosa e exigir que cancelassem seu vínculo com Edric na hora? Naquela noite, pela primeira vez em muito tempo, Drake não estava esparramado na cama. Em vez disso, sentou-se no sofá junto à janela do chão ao teto, resolvendo negócios no lightcore. Quando Emma entrou, o olhar dele pousou no colar em seu pescoço. O tom veio carregado de desdém. "Você realmente está usando algo tão barato?" Todos os vínculos dela eram lixo inútil? Como podiam permitir que uma fêmea de quarta categoria fosse reduzida a usar esse tipo de bugiganga? Com isso, Drake tirou de seu armazenamento pessoal uma gema negra do tamanho da palma da mão. Emma não soube dizer de que material era, mas sabia que tudo o que Drake revelava nunca era comum. "Pegue isto", disse Drake. "Você pode mandar fazer um colar muito melhor com isso." Era o cristal negro mais raro do Império Interestelar, transbordando um poder imenso. Não apenas podia fortalecer as habilidades de alguém, como, em momentos de perigo, podia até salvar uma vida. Embora não tivesse a menor intenção de jamais se vincular a Emma, ele não era mesquinho a ponto de deixá-la andar por aí com aquela bijuteria sem valor no pescoço. "Obrigada pela oferta", disse Emma, recusando o cristal negro que Drake lhe estendia. "Mas não posso aceitar." O cristal negro era inegavelmente valioso, mas Emma conhecia a regra — aceitar favores significava ficar em dívida. Ela poderia fechar um acordo com Drake, mas jamais aceitar seu presente sem nada em troca. Drake, no entanto, não conseguia entender a reação dela. "Você prefere usar essa bugiganga sem valor a aceitar o cristal negro que estou lhe dando?" Emma rebateu a observação. "Este colar foi um presente do meu vínculo. Carrega os sentimentos dele por mim. Como poderia ser sem valor?", retrucou. "Você julga pelo preço, eu julgo pela sinceridade por trás dele." Ela sabia muito bem que Edric não fazia ideia de que Damian tinha entregue uma bugiganga barata em nome dele. Ainda assim, o gesto era de Edric, e ela precisava honrá-lo usando o colar. De que outra forma Edric perceberia que Damian o tinha passado para trás? A lembrança de Edric durante a chamada de vídeo na noite anterior lhe veio à mente. Ele era doce e confiante demais. Precisava aprender a ser mais perspicaz. Drake não conseguia conceber a forma de pensar de Emma. Em seu mundo, as fêmeas eram sempre delicadas e orgulhosas — sua comida, suas roupas, suas joias tinham que ser do melhor. Qualquer coisa abaixo disso as desagradava. "Faça como quiser." Drake encerrou o assunto. Emma pousou as pontas frias dos dedos no centro da testa de Drake. A sensação apaziguante o envolveu, e todo o resto se dissolveu num instante. Sua cauda de dragão se desenrolou outra vez, enroscando-se instintivamente na cintura de Emma. Como a cintura da sua fêmea podia ser tão impossivelmente macia? Desta vez, Emma alcançou um avanço e conseguiu sustentar o conforto mental por vinte minutos inteiros. Ela havia descoberto que, sempre que derramava sua força mental sem reservas, no dia seguinte ela retornava duas vezes mais forte. A consciência mental de Drake por fim se aquietara em completa calma. A densa névoa negra que antes a envolvia, sob os confortos repetidos de Emma nesses últimos dias, começara a esmaecer até se tornar branca. Em alguns pontos, já se tornava translúcida. Uma vez que cada traço daquela névoa negra clareasse e se tornasse plenamente transparente, o poder mental de Drake estaria completamente restaurado. Quando a sessão terminou, Emma deixou o quarto dele e caminhou pelo corredor até a porta de Damian. Levantou a mão e bateu. A porta se abriu um momento depois. Lá dentro, Damian estava largado na cama, usando um robe de seda com estampas em pinceladas de nanquim, o peito meio à mostra, o olhar pesado de languidez enquanto se demorava sobre Emma parada no umbral. "Srta. Tibarn, por que está pairando na entrada? Entre." Emma não se moveu. O olhar permaneceu sereno quando disse: "Só vim lembrar você. Amanhã, saímos às sete em ponto. Não perca a hora." Com isso, estendeu a mão para fechar a porta para ele e se afastou. De volta ao próprio quarto, ela deu leves batidinhas no peito. Raposas faziam jus à fama de sedutores natos. Felizmente, sua força de vontade era maior que a da maioria. Do contrário, aquele encantador teria roubado sua alma. No andar de baixo, Damian estava completamente perplexo. Desde que se mudara para casa de Emma, perdera a conta de quantas vezes questionara a própria existência. Ela era mesmo uma fêmea? Ali estava ele — um exemplar perfeito de atração masculina, envolto em seda e irradiando magnetismo. E ela não piscava. Não havia faísca nos olhos, nenhum indício de desejo. Alheia ao orgulho ferido de Damian, Emma estava esparramada confortavelmente na cama, em chamada de vídeo com Edric. Do outro lado, o homem de traços marcantes estava recostado na Starrail Lounge, enquanto Emma apontava para o colar em seu pescoço, um sorriso largo no rosto. "Edric, o que acha? Ficou bonito em mim, não ficou?" Edric assentiu sem hesitar. "Ficou bonito." Se Emma gostava, era bonito — ainda que qualquer um percebesse que o colar era barato. Por que ela usaria uma bugiganga sem valor daquelas? Teria sido enganada por uma fera?

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