Emma percebeu pequenas fissuras, como teias de aranha, espalhadas pela barreira mental de Drake.
Se tivesse que arriscar um palpite, imaginava que essas rachaduras só começariam a se curar quando a nova muralha mental de Drake estivesse completamente estabilizada.
Provavelmente, ele voltaria ao normal quando isso acontecesse.
Não demorou muito para ela terminar o que precisava fazer.
Então, retirou a mão dele. Estava prestes a se levantar quando a cauda de Drake apertou de repente sua cintura.
Pegou-a de surpresa, fazendo com que perdesse o equilíbrio e caísse contra o peito dele.
— Drake, o que você está fazendo? — ela reclamou impaciente, virando-se para encarar o culpado.
— Emma... — ele murmurou baixinho, a voz carregada de culpa e dor. Soava como um filhote ferido, tímido demais para discutir, mas relutante em se afastar da dona.
— Eu... eu não ia fazer nada — sussurrou, os braços apertando-a com mais força. — Só... queria te abraçar um pouco mais.
Antes que ela pudesse recusar, ele começou a implorar:
— Emma, só me deixa te segurar mais um pouco. Juro que não vou tomar muito do seu tempo. Por favor?
Emma ficou rígida ao perceber o tom trêmulo da voz dele.
Sua mente gritava para empurrá-lo para longe.
Drake sentiu o corpo dela ficar tenso em seus braços. Sua voz ganhou um tom desesperado enquanto suplicava:
— Emma, por favor. Só me dê isso. Prometo que vou me comportar.
O outrora orgulhoso Drake Smith agora se via reduzido a mendigar migalhas.
Emma virou-se para encontrar os olhos dele, vermelhos e marejados. Ainda se lembrava de como aqueles olhos eram antes: inspiravam respeito e temor. Agora, não restava nem sombra de autoconfiança ou arrogância.
Eram como poças de esperança desesperada e medo cru. Ele temia ser afastado.
Enterrou o rosto na curva do pescoço dela, como um filhote perdido buscando abrigo. Sua voz parecia prestes a se desfazer em lágrimas:
— Emma, eu sei que não sou ninguém para você agora. Lucien estava certo. Não tenho direito de participar, e não... não mereço ficar ao seu lado.
A cada palavra, sua voz ficava mais rouca, como se fossem lixas arrastadas pela garganta. Eram palavras impregnadas de autodesprezo e amargura.
— Esqueci muitas coisas, mas lembro de uma: lembro que não consigo viver sem você. Meu peito fica vazio quando você não está comigo. É tão frio, tão oco.
Apertou-a ainda mais, como se quisesse fundi-los para preencher o vazio em seu coração.
Sua cauda, que estava quase imóvel depois da bronca, voltou a apertar a cintura dela. Mas não havia nada de dominante nisso. Pelo contrário, Emma sentia o tremor percorrendo a cauda, o toque frio das escamas pressionando suas roupas, denunciando o nervosismo dele.
— Não vou fazer nada, eu juro — ele disse, rouco.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Nove Therianos Gatos e Sua Única Rainha