A floresta era tomada por árvores altas, capim e ervas.
Lucien era inteiramente negro, difícil de notar entre as plantas sombrias à noite.
Emma vasculhou por vários minutos, mas ainda não o viu.
"Juro que o vi cair bem aqui."
Edric e Damian já tinham percebido, com o alcance de sua força mental, que ele se debatia no meio do emaranhado de ervas.
Tinham pensado em avisar Emma, mas, quando notaram que era um macho, os dois se calaram.
Ninguém disse nada.
Machos eram sempre possessivos.
Todos queriam guardar as fêmeas só para si, mas, como havia muito mais machos do que fêmeas no mundo interestelar, precisavam seguir as regras estabelecidas pelo Deus Fera.
Compartilhar o afeto de Emma com outros machos compatíveis já era difícil o bastante. Agora, até um pássaro queria competir pela atenção dela?
De jeito nenhum.
De forma alguma.
Quando Damian percebeu que Emma não conseguia encontrar a criatura feiosa, não parava de lhe pedir desculpas.
"Me perdoe, Srta. Tibarn. Eu não sabia que era o seu pássaro salvador. Era tão feio que achei que fosse alguma fera da floresta. Me assustei e dei um chute sem pensar."
Emma sabia que Damian não tinha feito de propósito.
"Não estou culpando você. Só me ajude a achar o Bolinha de Carvão."
Damian e Edric, na verdade, não queriam procurá-lo.
Damian insistiu: "Srta. Tibarn, talvez o Bolinha de Carvão tenha voado embora depois que caiu. Se a senhorita gosta de pássaros, eu lhe dou alguns quando voltarmos. No mundo interestelar há muitos pássaros raros. Alguns cantam, outros dançam, e tem até os que falam."
"É isso, Emma", apoiou Edric. "Damian tem razão. Tem um monte de pássaros interessantes no mundo interestelar. Se você gostar, a gente pega alguns para você."
Desde que fossem fêmeas, Emma poderia ficar com quantos quisesse.
"Não estou interessada nesses pássaros. Eu prometi ao Bolinha de Carvão que o levaria de volta. Temos que encontrá-lo."
Foi o pássaro que salvou sua vida e, como Damian o havia chutado para longe, Emma se sentia inquieta sem saber onde ele estava.
Vendo a determinação dela, Damian e Edric começaram a hesitar se deveriam ou não levar o pássaro até ela.
Um pio suave veio do meio do capim.
Bem no instante da hesitação deles, Lucien enfim se desvencilhou das ervas que o prendiam. Saiu do mato todo desgrenhado, baixando a cabeça enquanto arrastava o corpo em direção aos pés de Emma.
Ergueu o olhar, fraco, piando duas vezes, fitando-a com ar de pura lamentação. Muitas das suas penas pretas tinham caído, deixando falhas que o tornavam ainda mais feio.

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