“A jovem não vai ter coragem de devolvê-lo quando vir o quanto mandamos.”
Ele realmente estava sem opções em relação a esse filho.
Graças ao Deus Fera!
Precisava empacotar o garoto e entregá-lo para aquela jovem o quanto antes.
O ancião, vendo seu rei se mover com tanta presteza, apressou-se em lembrá-lo: “Vossa Majestade, esqueceu? O príncipe Marcus está no caixão de cristal desde que pulou no lago no mês passado e foi resgatado. Ele ainda não despertou.”
“Certo — ele ainda está apagado!” Maurice deu um tapa na própria testa, percebendo que havia esquecido por completo. Não era à toa que a moça não conseguia falar com ele.
“Não importa”, rosnou. “Mandem alguém levar o caixão de cristal para lá. De um jeito ou de outro, vamos despachá-lo hoje. E dobrem o dote — melhor, tripliquem! Contanto que ela não o devolva, podemos dar a ela tudo de melhor que Frostveil possui.”
...
Na sede da Aliança dos Caçadores Interstelar, dentro de uma cabana de madeira, Emma aproveitou a ausência de Edric para esconder na palma da mão uma agulha fina. Picou a ponta do dedo e deixou cair uma gota de sangue sobre o bastão de madeira escura que Carvão tinha trazido.
Dias antes, Corvin havia derrubado sem querer o vaso em que ela plantara o graveto. Enquanto limpava a bagunça, Emma cortou o dedo, e uma gota de sangue caiu por acaso sobre o pequeno galho negro. Na hora, não deu importância — só replantou o graveto e voltou às tarefas.
Mas, no dia seguinte, encontrou algo inacreditável. O graveto, antes negro como breu, endireitara, o tom escurecido evoluindo para um azul profundo. Brotos verdejantes, minúsculos, haviam despontado do ramo e, ao cair da noite, um deles já se abrira em uma folha em forma de crescente. Uma linha azul-escura corria bem no centro do verde tenro.
O que mais chocou Emma foi que a folha era idêntica às que vira no núcleo de luz — folhas da Árvore Divina Crescente, a raiz gêmea do Deus Fera.
Nos últimos dias, ela pesquisara sem descanso, vasculhando tanto o núcleo de luz quanto os arquivos da Aliança. Àquela altura, estava quase certa de que o ramo vinha da própria Árvore Divina Crescente.
Não é à toa que Carvão a valorizava tanto.
Segundo o que descobriu, as flores da árvore guardavam uma energia curativa extraordinária. Não importava a gravidade do ferimento ou da doença: se a pessoa ainda respirasse, comer uma de suas flores a restauraria por completo.
O Império fazia peregrinações regulares a Divinar para pedir ao Deus Fera uma bênção da árvore sagrada. Seu néctar diluído era usado na produção de remédios que salvaram incontáveis terianos pelo mundo.
Seus frutos — as Sementes Divinas que a própria Emma já havia comido — podiam despertar habilidades latentes em um teriano.

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