— Estamos absolutamente honrados com sua presença em SunCity, senhor Daven. — Disse Harold, o prefeito da cidade, com um sorriso esperançoso. — Sua vinda é uma verdadeira bênção para nós. Vários desses projetos estão parados há anos, por falta de recursos e de uma direção clara.
Daven assentiu educadamente. Seus olhos permaneciam fixos nos projetos espalhados sobre a longa mesa de reunião, plantas detalhadas de instalações públicas, expansões de áreas verdes e um novo centro cultural. Ele ouvia atentamente a explicação de Harold, embora sua mente não estivesse completamente ali.
Já era tarde, mas Harold insistira na reunião. E, como um homem de negócios que reconhecia oportunidades, Daven não pretendia desperdiçá-la, mesmo com os pensamentos em outro lugar.
Inquietos. Desordenados.
— Eu também penso assim. — Respondeu calmamente, cruzando os braços sobre o peito. Não queria parecer entusiasmado demais, embora SunCity realmente oferecesse oportunidades interessantes de expansão. Mas não era esse o verdadeiro motivo de sua presença.
Se não fosse pela crescente curiosidade sobre o garoto chamado Josh, ele sequer teria vindo.
— Acredito que esses projetos terão um impacto significativo, especialmente para as próximas gerações. — Continuou Harold, animado. — Se estiver de acordo, posso começar a preparar toda a documentação e uma apresentação detalhada. Em uma semana teremos tudo pronto.
— Muito bem! — Respondeu Daven, de forma breve. — Enviarei minha equipe para revisar tudo. Certifique-se de que os relatórios estejam impecáveis.
— Claro. Esperamos que essa seja uma parceria de longo prazo.
A reunião terminou rapidamente. Harold convidou Daven para jantar, mas ele recusou com educação, porém firmeza. Alegou que havia acabado de chegar à cidade. Mas, na verdade, pretendia permanecer em SunCity por mais tempo. E o segundo convite? Esse, ele não recusaria.
Quando a reunião terminou, Daven saiu da sala, com Arsen seguindo-o em silêncio. O carro já os aguardava em frente à prefeitura. Assim que a porta se fechou e o silêncio tomou conta do interior, Daven lançou um olhar para o assistente pelo retrovisor.
— Essas informações... — Disse em tom baixo e cortante. — Você tem certeza de que são confiáveis?
Arsen assentiu.
— Tenho, senhor Daven. Embora, sinceramente, eu não esperasse que fosse verdade. Achei que fosse apenas um boato absurdo... Ou fofoca de quem não gosta da senhorita Vanessa.
Sem responder, Daven pegou o tablet de volta. A tela se iluminou, exibindo uma pasta intitulada J-V. Ele tocou em um dos vídeos de CCTV, imagens de duas pessoas em um corredor de hotel: Vanessa e James.
Não havia abraços. Nem beijos.
Mas o jeito como James a olhava, intenso, calculado, cheio de significado, já dizia tudo. Daven não era ingênuo; aquele olhar não era de um simples colega de trabalho.
E então vieram as fotos mais claras, mais reveladoras. Não havia constrangimento entre eles. Nenhuma hesitação. Tudo parecia natural. Familiar. James roçava a mão no rosto de Vanessa... E ela não se afastava.
E as selfies...
Tiradas em cantos escondidos. Lugares escolhidos não pela lembrança, mas pelo segredo.

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