— Talvez o senhor devesse ir para casa primeiro, senhor Daven. — Sugeriu Arsen, lançando um olhar discreto para ele.
Daven permanecia olhando fixamente para a estrada, calmo demais... Quieto demais. Muito diferente de como estava na viagem de SunCity até Mighatan. Seria por causa da visita ao túmulo da avó? Arsen não sabia ao certo. Ultimamente, coisas demais vinham acontecendo na vida dele. Se estivessem em posições invertidas... Arsen tinha certeza de que já teria desmoronado.
— Eu já pedi pra alguém—
— Não precisa! — Daven cortou, a voz baixa, mas carregada de tensão. — Você sabe exatamente o que eu estou esperando esse tempo todo, não sabe?
Arsen se calou. Sabia, sim. Sabia o quanto Daven estava esperando por aquilo... Uma oportunidade de se aproximar daquele garoto. E agora que ela finalmente tinha aparecido, era natural que ele estivesse assim.
— Eu entendo que o senhor quer ver o resultado do exame, mas—
Daven lançou um olhar afiado, claramente incomodado. — Se eu for pra casa agora, não vou conseguir pensar em nada. Prefiro ir direto. E por que você está tentando me controlar tanto hoje?
— Não é isso que eu—
— Deixa pra lá. — Interrompeu, cruzando os braços. — Você já devia entender por que eu não posso esperar. E eu não vou perder tempo só pra trocar de roupa.
O silêncio voltou a dominar o carro. Arsen apenas assentiu, desconfortável. — Me desculpe, senhor Daven.
Daven não respondeu.
Os pensamentos dele estavam longe dali. Giravam em torno de uma única coisa: O resultado do exame de DNA... Aqueles poucos fios de cabelo que encontrou no moletom de Josh.
A expectativa era alta demais.
Perigosamente alta.
No mínimo... Aquilo lhe daria algo que fosse de Althea.
Seu filho.
Talvez fosse egoísmo... Mas—
— Você sabe qual foi a coisa mais sufocante que aconteceu comigo hoje? — Perguntou de repente, a voz baixa, carregada.
Arsen não respondeu. Apenas esperou.
— Eu deixei a Althea ir embora... Porque enxergava ela como nada além de uma mulher que foi empurrada pra minha vida. Nunca dei espaço pra ela entrar no meu coração. E ela tentou... Várias vezes... Mas eu estava ocupado demais com um amor vazio.
Ele soltou um suspiro pesado.
— Idiota... Não acha?
— Eu... Não acho que seja assim, senhor Daven.
— Não? — Ele soltou uma risada amarga. — Ainda vai dizer que eu não fui um completo idiota depois de tudo?
Arsen não conseguiu responder.
— Quando a Althea saiu daquela casa... Eu senti alívio. Satisfação, até. Como se um problema tivesse sido resolvido. — Ele passou a mão pelo rosto, frustrado. — Nem pensei em impedir ela.
Arsen sabia. Tinha visto tudo. Tinha sido testemunha silenciosa da frieza de Daven com uma mulher que nunca fez nada além de tentar... Amar. Muitas vezes quis dizer algo, mas nunca teve o direito.
E então veio o anúncio do noivado com Vanessa.
A cidade inteira viu aquilo.

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