— Cale... Você não precisa estar aqui. — A voz de Lydia saiu rouca sob o cobertor. — É só uma febre leve.
— Uma febre leve não faz você tremer desse jeito. — Respondeu Cale, a testa franzida enquanto observava o rosto dela. — Sua temperatura está quase em quarenta graus.
— Isso não é da sua conta.
— Agora é.
Lydia lançou-lhe um olhar fraco.
— Eu não pedi para você vir.
— E eu não pedi permissão para aparecer.
— Cale...
— Lydia! — Ele a interrompeu, o tom calmo, mas firme. — Pare de discutir. Você não está em condições de vencer.
Ela expirou devagar, as pálpebras pesadas.
— Você realmente adora mandar nas pessoas.
— Só nas teimosas.
— E acha isso engraçado?
— Não! — Disse ele, com um pequeno sorriso puxando seus lábios. — Mas eu gosto.
Lydia suspirou e fechou os olhos novamente.
— Eu não preciso de babá.
— Ótimo. Eu nem tenho licença para isso mesmo.
— Então por que ainda está aqui?
Cale puxou uma cadeira para mais perto e se sentou ao lado da cama.
— Porque não consigo deixar você sozinha.
Lydia abriu os olhos, estudando-o por um longo momento.
— Você sabe que eu odeio sentir que estão com pena de mim.
— Eu não tenho pena de você. — Disse ele suavemente. — Estou preocupado.
O silêncio se acomodou entre eles, quebrado apenas pelo som fraco da chuva batendo contra a janela.
— Por quanto tempo pretende ficar sentado aí? — Perguntou Lydia por fim.
— Até você dormir.
— Não consigo dormir com você me encarando desse jeito.
— Então vou continuar encarando até você se acostumar.
As sobrancelhas dela se juntaram.
— Você é impossível.
— Eu sei.
Cale se levantou, pegou uma toalha úmida e a pressionou gentilmente contra a testa dela.
Seu toque era cuidadoso, nada parecido com o homem direto e teimoso que ela havia conhecido.
— Você precisa tomar seu remédio. — Disse ele em voz baixa.
— Eu já tomei.
— Aquele que deixei no balcão da cozinha?
Lydia ficou em silêncio.
— Então, não. — Ele suspirou. — Você não consegue nem ser honesta quando está doente.
— Eu não queria te dar trabalho.
— Você dá trabalho desde o dia em que nos conhecemos. — Disse ele, com um sorriso discreto. — Mas, de algum jeito, eu nunca me importei.
Lydia olhou para ele e, pela primeira vez, algo diferente brilhou em seus olhos.
Não era raiva.
Não era irritação.
Era calor.
— Por que você é assim? — Sussurrou.
— Assim como?
— Cuidadoso demais.
— Porque, se não for eu... — Disse Cale em voz baixa. — Quem mais vai ser?

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