— Na verdade... Eu odeio hospitais.
Althea admitiu aquilo enquanto descia do carro.
Aquele lugar sempre despertava lembranças dolorosas dentro dela.
O nascimento de Josh havia sido diferente, feliz, claro, mas, tirando isso, hospitais sempre apertavam seu peito de um jeito sufocante. Ela jamais esqueceria o momento em que sua mãe deu o último suspiro após perder sangue demais.
O acidente tinha sido brutal.
Se a mãe dela não tivesse a empurrado para a calçada... Althea provavelmente teria morrido junto com ela.
Durante muito tempo, ela chegou a se perguntar por que Deus não havia levado as duas juntas. Principalmente depois que foi obrigada a viver dentro da casa dos Callister.
“Por que eu continuo me lembrando disso tudo?”
O corredor do hospital estava silencioso naquela tarde.
Althea caminhava devagar. Cada passo parecia pesado, como se o coração afundasse junto ao som constante dos monitores da UTI, o quarto onde sua amiga permanecia internada.
Ela se sentou ao lado da cama de Lydia e segurou cuidadosamente a mão fria da amiga.
— Eu estou aqui, Lydia... — Sussurrou baixinho. — Como você está?
A única resposta veio das máquinas ao redor.
— Os médicos disseram que seu estado está estável, mas... Por que você ainda não acordou? Eu preciso de você aqui comigo.
Ela tentou rir, mas o som saiu frágil e quebrado.
— Você não quer ouvir minhas histórias? Você sabe que estou presa naquele caos envolvendo aquela mulher miserável, não sabe? Eu achei que nunca mais veria Vanessa na minha vida... Mas aparentemente Deus ainda quer testar minha paciência.
A mão de Lydia continuava imóvel dentro da dela.
Os médicos já haviam garantido inúmeras vezes que a recuperação estava avançando bem. Os sinais vitais estavam normais. Tecnicamente, tudo estava indo bem.
E ainda assim... Nada mudava.
— Por que você não acorda, Lydia? Minha vida é tão divertida assim nos seus sonhos?
As lágrimas escaparam antes que ela pudesse impedir, molhando lentamente a mão da amiga.
— Não se diverte demais dormindo, Lydia... Eu estou sozinha. Mesmo tendo Josh comigo... Você ainda é a única irmã que eu tenho.
Ela abaixou a cabeça e começou a chorar silenciosamente, rezando para que Deus tivesse misericórdia e trouxesse Lydia de volta.
Depois de algum tempo, Althea enxugou o rosto e tentou recuperar a calma.
Lydia continuava sem reagir.
Os olhos permaneciam fechados exatamente como antes.
Althea soltou um sorriso amargo.
— Amanhã eu vou para Mighatan... — Murmurou suavemente. — Mesmo depois de jurar que nunca pisaria naquela cidade novamente.
Ela soltou uma risada vazia.
— Eu não posso mais ficar parada, Lydia. Vanessa continua ultrapassando todos os limites. Eu preciso enfrentá-la... Mesmo que isso me assuste.
Sua mão fechou-se lentamente em punho.
— Você me apoiaria nisso... Não apoiaria?
Na manhã seguinte, Mighatan recebeu Althea sob um céu cinzento como cinzas.
Ela não estava sozinha.
Josh permanecia sentado ao seu lado, completamente fascinado pela cidade, enquanto dois funcionários enviados por Chase acompanhavam cada movimento deles discretamente.
No começo, Althea recusou completamente a ideia de ter seguranças ao redor.
Mas a insistência de Chase, somada aos conselhos gentis, porém firmes, de Riana e Daniel Miller, acabaram deixando-a sem argumentos.
— Nós só queremos garantir a segurança de você e do Josh, Althea. Por favor... Não nos faça preocupar.
E como ela conseguiria negar algo assim? Principalmente depois de ouvir aquilo diretamente de Riana?
Chase chegaria apenas no dia seguinte.
Uma reunião importante do conselho o obrigou a permanecer em SunCity temporariamente. Como responsável pela fundação, ele possuía responsabilidades das quais simplesmente não podia fugir.
E Althea sabia disso.

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