Um aperto se espalhou pelo peito dele, enquanto o arrependimento o perfurava como espinhos. Se pudesse voltar no tempo, jamais a teria deixado ir. Nunca teria descartado Althea tão facilmente, nunca permitiria que ela fosse esmagada pela sombra de sua obsessão por outra mulher. Mas o tempo não se dobrava. E tudo o que ele tinha agora era a amarga verdade, aquele abismo havia sido cavado por ele mesmo.
Daven respirou fundo, fechando os olhos por um instante. Uma percepção cruel o atingiu com clareza, talvez aquilo fosse destino. Talvez ele estivesse destinado a aceitar que Althea não lhe pertencia mais.
E, estranhamente, sob toda aquela dor, existia um pequeno conforto. Porque ele sabia que Althea agora tinha alguém que enxergava seu verdadeiro valor, alguém gentil como Chase Miller. Um homem capaz de protegê-la e valorizá-la por completo, sem comparações, sem diminuí-la. Isso era muito melhor. Muito melhor do que tudo o que ela suportou ao lado dele, o homem que só lhe causou sofrimento.
Talvez aquele fosse o preço de todos os seus pecados. Ele já não tinha o direito de se aproximar dela. Não tinha mais o direito de forçar entrada na vida de uma mulher que agora brilhava muito mais sem ele.
Ele soltou o ar lentamente, mantendo os olhos presos na tela pela última vez, como se quisesse gravar sua imagem na memória. O sorriso de Althea naquela foto parecia eterno, um lembrete do que ele perdeu, algo precioso, algo que jamais voltaria.
— Continue me atualizando sobre a audiência do divórcio com Vanessa. Quero isso resolvido o mais rápido possível, não deixe se arrastar. — Disse Daven, devolvendo o tablet para Arsen. — E, quando voltarmos para Mighatan, vou mudar alguns dos meus horários de trabalho.
Quando Daven dizia que mudaria seus horários... Aquilo significava noites intermináveis, reuniões sem pausa e, muito provavelmente, novas rodadas de negociações com investidores. O que também significava sofrimento para Arsen e todos os departamentos do Callister Group.
A forma do CEO descontar tudo sempre foi através de trabalho obsessivo.
***
Do outro lado da cidade, um elegante carro preto estacionou diante da entrada do hotel. Althea desceu do veículo e foi imediatamente recebida por um de seus advogados, que lhe ofereceu um pequeno buquê. Ele havia chegado mais cedo em outro carro e a aguardava na entrada.
— Parabéns mais uma vez, Srta. Althea. A decisão de hoje foi uma grande vitória. Seu nome foi limpo. — Disse o homem, satisfeito.
Althea inclinou levemente a cabeça em agradecimento.
— Obrigada. Sem todos vocês, eu não teria conseguido permanecer tão forte.
— E sem a sua própria coragem, nada disso teria sido possível. — Acrescentou Adrian. — Nosso trabalho é apenas permanecer ao lado de clientes que possuem a verdade e as provas para defendê-la.
Eles trocaram algumas palavras antes de Althea se virar em direção ao elevador. Porém, assim que chegou perto, seus passos vacilaram.
Ali, diante dela, havia um enorme buquê de rosas brancas, amarrado com uma fita prateada, com seu nome elegantemente escrito ao centro.
E, claro, o remetente estava logo ao lado.
Chase a observava com um sorriso tranquilo enquanto ela encarava o enorme arranjo em completo choque. Depois de alguns segundos, ela apenas balançou a cabeça diante do exagero dele.
— Chase... Você não acha isso um pouco demais?
Ele soltou uma risada baixa.
— Demais? Não, querida. Nem todas essas flores são suficientes para comemorar sua vitória de hoje.
Althea suspirou em incredulidade, embora sentisse as bochechas aquecerem.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: O Arrependimento Dele - Ex-Marido Me Quer de Volta