O quarto estava mergulhado na penumbra, iluminado apenas pelo brilho suave de um abajur no canto. As longas sombras dos móveis se espalhavam pelas paredes, cobrindo o ambiente com uma quietude fria e opressiva. Além da alta janela parcialmente embaçada, folhas caíam lentamente em espirais, levadas pelo vento inquieto. Até mesmo a estação parecia conspirar, envolvendo a noite em uma melancolia que refletia perfeitamente o homem sentado na cadeira de couro preto.
Ele estava recostado, uma perna cruzada sobre a outra, enquanto um charuto queimava lentamente entre seus dedos. Fios finos de fumaça subiam no ar, misturando-se ao aroma marcante do vinho tinto que ele tomava de vez em quando em uma taça de cristal. Parecia que o próprio tempo havia parado enquanto observava a dança das folhas caindo lá fora. Ainda assim, sobre a pequena mesa ao seu lado, repousava um celular silencioso, intocado, mas claramente aguardado com ansiedade.
Seus dedos batiam contra o braço da cadeira num ritmo inquieto, cortando o silêncio do cômodo. De tempos em tempos, seus olhos desviavam para a tela, apenas para encontrá-la apagada.
Até que finalmente...
O som de uma notificação rompeu a quietude.
Ele se moveu rapidamente, pegando o celular e lendo a mensagem que acabara de chegar.
“Confirmado, senhor. O senhor estava certo. O garoto é a chave e o alvo perfeito. Ele é próximo tanto de Daven quanto de Chase Miller. Se agirmos agora, tenho certeza de que conseguiremos abalá-los profundamente. Já rastreei a rotina deles. Desta vez, não haverá atrasos.”
O canto de seus lábios se ergueu, não em alegria, mas em algo muito mais frio, uma satisfação cruel. Seus olhos brilharam como os de um homem cujos longos cálculos finalmente haviam alcançado o momento decisivo.
Ele colocou o charuto no cinzeiro e começou a digitar a resposta com mãos firmes.
“Não deixem brechas. Certifiquem-se de que tudo aconteça exatamente como planejado. Estarei aguardando boas notícias.”
Após enviar a mensagem, pousou o celular novamente sobre a mesa e ergueu a taça em direção à janela, como se brindasse à noite lá fora.
— Daven Callister... — Murmurou, cada palavra carregada de intenção. — Você vai aprender que sangue e poder não conseguem proteger ninguém de verdade.
Ele fez uma pausa, esvaziando parte do vinho até restar apenas metade da taça.
— E você também, Chase Miller... — Sua voz ficou mais baixa, pesada e calculada. — Seu orgulho será o fogo que consumirá você.
O silêncio voltou a dominar o quarto, quebrado apenas pelo som fraco do vento roçando contra o vidro. Ainda assim, a tensão que permanecia no ambiente era sufocante, carregada pela promessa de um caos iminente.
O homem reacendeu o charuto e soltou a fumaça lentamente, os olhos frios e calculistas.
A contagem regressiva para a ruína havia começado.
E, desta vez, ele pretendia saborear cada segundo disso.
***
— Mamãe, posso comprar um cachorro-quente naquela barraca em frente ao hotel? Eu vi ela ontem quando voltamos.
Althea piscou, olhando para Josh incrédula.

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