— Então... Eu vou passar o resto da minha vida em uma cadeira de rodas?
A voz de Lydia era pouco mais que um sussurro, rouca, trêmula, mas foi o suficiente para despedaçar o coração de Althea.
Ela permaneceu sentada ao lado da cama, imóvel, sem saber se conseguiria manter a própria voz firme caso tentasse responder.
O quarto estava silencioso, exceto pelo suave bip ritmado do monitor cardíaco e pelo zumbido baixo do ar-condicionado, que fazia as cortinas brancas se moverem levemente, como uma respiração contida.
O cheiro estéril de antisséptico preenchia o ambiente e, sobre a pequena mesa ao lado da cama, um vaso de flores já murchas pendia tristemente para um lado, flores que Althea ainda não havia trocado.
Ela estava feliz demais por Lydia ter acordado para pensar em qualquer outra coisa.
Forçando um sorriso, Althea segurou a mão da amiga.
— O médico disse que ainda existe esperança, Lydia. Você só precisa de tempo... E força. Eles vão começar a fisioterapia intensiva em breve.
Ela engoliu em seco, tentando estabilizar a voz.
— Amanhã vão fazer uma tomografia completa da sua cabeça... Para garantir que não exista nenhuma pressão nos nervos afetando suas pernas.
Lydia respirou fundo e abaixou os olhos para as pernas cobertas pelo lençol.
Tentou mover os dedos dos pés sob o tecido.
Nada aconteceu.
O silêncio que veio depois foi sufocante.
— Eu... Eu não sinto nada. — Sussurrou ela, a voz tremendo. — Eu costumava reclamar de hora extra... De como minhas pernas doíam depois de ficar muito tempo em pé... E agora... Sinto falta até disso.
— Não fala assim! — Murmurou Althea, apertando ainda mais sua mão.
— Mas é a verdade, Althea.
Lydia deu um sorriso pequeno e quebrado.
— Eu não consigo fingir ser forte o tempo todo.
Os olhos dela se encheram novamente e, dessa vez, as lágrimas caíram livremente.
— Eu sei que tenho sorte por estar viva, eu sei. Mas e se isso for definitivo? E se eu realmente nunca mais conseguir andar? Eu não vou conseguir sair... Me mover como antes... Nem—
Ela parou, a voz falhando.
— ...Buscar Josh na escola quando você estiver ocupada demais.
— Lydia...
Dessa vez, foi a voz de Althea que se quebrou.
Ela se inclinou para frente, abraçando a amiga com força.
Os ombros das duas tremiam enquanto choravam juntas, duas mulheres agarradas uma à outra em meio à dor compartilhada... E à esperança frágil.
— Tudo bem chorar. — Sussurrou Althea contra os cabelos dela. — Você já lutou tanto. Eu só... Eu sou tão grata por você ainda estar aqui. Nem consigo imaginar como teria sido se você não tivesse acordado. Acho que eu não suportaria perder você.
Minutos se passaram em silêncio.
Exceto pela respiração irregular das duas.
O tipo de silêncio que só existe depois que as lágrimas já disseram tudo aquilo que as palavras não conseguem.
Quando Lydia finalmente começou a se acalmar, Althea enxugou delicadamente as lágrimas restantes em seu rosto.
— Sabe... — Disse baixinho, um pequeno sorriso surgindo em seus lábios, eu não vim aqui só pra chorar com você.
Lydia piscou, ainda limpando os olhos.
— Como assim?
Ela segurou novamente a mão de Lydia, a voz carregada de emoção.
— Estou tão feliz por você ter acordado, Lydia. Eu não conseguiria imaginar esse casamento sem você lá comigo.
— Então acho que não posso ficar triste por muito tempo.
Mesmo que, quando vocês se casarem, eu ainda esteja presa nessa cadeira de rodas... Tudo bem.
Ela sorriu suavemente.
— Desde que eu possa ver o dia em que você finalmente encontrou sua felicidade... Isso já basta pra mim. De verdade.
— Obrigada, Lydia.
Althea apertou fortemente a mão da melhor amiga.
— Você é a melhor amiga que eu poderia pedir.
Lydia arqueou uma sobrancelha, os lábios se curvando levemente.
— Enquanto eu estava inconsciente... O que exatamente aconteceu, Althea? Tenho quase certeza de que não foi só o pedido do Chase que você acabou aceitando, foi?
Ela apertou a mão de Althea, os olhos transbordando curiosidade enquanto percebia a hesitação dela.
— Você está certa.
Althea soltou um longo suspiro.
— Muita coisa aconteceu enquanto você estava dormindo.
— Então me conta. — Insistiu Lydia suavemente. — Você não pretende guardar tudo só pra você, pretende?
— Quem disse que eu ia fazer isso?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: O Arrependimento Dele - Ex-Marido Me Quer de Volta
Tô super indignada cm esse livro. Nossa cm pode o cara tratou ela cm um ND . Aí ela encontrou um homem pra dar TD o q o outro não fez. E aí a autora decidiu matar o homem q a ajudou a se sentir viva e colocar novamente o daven . Como pode o chese morrer pra q daven fosse feliz novamente . Nossa eu nka li um livro e sentir tanta repulsa. Pq o devendo mereceu felicidade enquanto q foi suporte e afeto teve q morrer. Nossa tô frustrada de verdd...