Um ano depois.
O ar da tarde em SunCity estava quente, entrando pelas amplas janelas da sala de estar da família Miller. Althea estava recostada no sofá, a mão acariciando com delicadeza a barriga arredondada, um sorriso sereno nos lábios.
Agora, com quase sete meses de gravidez, ela passava a maior parte dos dias em casa. Desde que o médico a aconselhou a limitar suas atividades, seu mundo havia se tornado mais silencioso... Mais suave.
Aquela gravidez era diferente. Seu corpo parecia mais fraco do que antes, sua energia se esgotava com mais rapidez, embora ela suspeitasse que não fossem apenas os hormônios. De alguma forma, sentia como se aquele bebê quisesse mais dela, mais atenção, mais repouso, mais amor.
Ela não se importava.
Chase, na verdade, parecia secretamente grato. Gostava de voltar para casa e encontrá-la ali, esperando por ele, para passarem as noites juntos, com Josh encolhido entre os dois.
— O que você está lendo?
Althea virou-se na direção da voz no momento em que o marido se aproximava, carregando um copo de leite morno e um prato com alguns lanches.
— Este livro. — Disse ela, mostrando a capa de um guia sobre gravidez. — Onde está Josh?
— Ainda está brincando com Nyu. — Respondeu Chase, com um sorriso largo. — E como está o meu docinho, hein?
Ele colocou a bandeja sobre a mesa e se ajoelhou diante dela, passando a mão com ternura pela curva de sua barriga.
— O bebê chutou de novo?
— Sim! — Respondeu Althea suavemente. — E bem forte desta vez. Acho que alguém sabe que é fim de semana e que o papai vai ficar em casa o dia inteiro.
Chase riu baixo, com os olhos suavizados pela admiração enquanto fitava a barriga dela. Mesmo agora, a ideia de que uma nova vida crescia dentro dela fazia suas mãos tremerem levemente toda vez que a tocava.
— Bem, fico feliz em saber que nosso pequeno já está impaciente para brincar comigo.
Althea riu baixinho.
— Mas, às vezes, os chutes doem. Acho que Josh vai ganhar um irmão com tanta energia quanto ele. Talvez até mais.
Isso fez Chase cair na risada.
— Quando é sua próxima consulta? O médico disse que agora é a cada duas semanas, certo?
— Isso. Quarta-feira. Se você estiver muito ocupado, posso ir com a mamãe. Ela sempre reclama quando eu não a levo.
— É mesmo? — Chase inclinou a cabeça, pensativo por um instante. — Tudo bem, então vá com a mamãe. Eu encontro vocês no hospital depois. Tenho uma reunião com o conselho de professores que não posso faltar, planejamento do novo semestre, discussões sobre o currículo... Você sabe, todas essas coisas divertidas que fazem minha cabeça girar.
Althea assentiu em compreensão.
Ela nunca reclamava do quanto Chase estava ocupado administrando a Fundação SunRise. Também não se incomodava quando ele passava longas horas fora. Porque Chase sempre sabia como compensar com pequenos gestos, afeto silencioso e aquele tipo de presença que apagava qualquer solidão assim que ele voltava para casa.
— Ouvi dizer que há uma nova professora que...
Ela nem chegou a terminar a pergunta.
Uma voz aguda ecoou do quintal.
— Cale! Não pense que eu não consigo ouvir você reclamando de novo!
Chase virou-se na direção do som e suspirou.
— Parece que eles começaram outra vez.
Althea conteve uma risada.
— Eu avisei, nunca deixe os dois no mesmo cômodo por mais de dez minutos.
— Tarde demais! — Resmungou Chase, levantando-se e seguindo até a porta de vidro que dava para o jardim.

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