A chuva caía suavemente do lado de fora da janela, e o cheiro de terra molhada entrava pela pequena fresta no vidro.
Na sala de estar, Althea estava encolhida no sofá, com uma manta sobre o colo. Seu olhar permanecia fixo no brilho fraco da lareira, cuja luz espalhava um calor silencioso pelo cômodo escuro.
Grace se mexeu em seus braços, mas não acordou, ainda perdida em um sono tranquilo. Do outro lado, Josh estava inclinado sobre seu caderno de desenho, concentrado no que fazia.
— Mamãe! — Chamou ele baixinho. — Posso colocar o papai Daven nesse desenho?
Althea virou a cabeça devagar.
— Claro, meu amor. Seu papai deve estar aí.
Josh sorriu, um pouco tímido.
— Mas o papai também precisa estar aqui. Foi ele que plantou a árvore na escola, né?
Os lábios de Althea se curvaram levemente, embora seus olhos brilhassem.
— Sim. Foi o papai quem plantou.
— Então... Os dois pertencem a esse desenho.
Josh apontou para a página, sua voz cheia de uma certeza inocente.
— Porque eu amo os dois.
Antes que Althea pudesse responder, a campainha tocou.
Ela respirou fundo, lançando um breve olhar para o relógio na parede.
Daven.
Daven estava parado à porta, o terno cinza, úmido pela chuva. Em uma das mãos, segurava um guarda-chuva dobrado; na outra, uma pequena caixa de comida.
— Bom dia, Thea. — Disse em voz baixa. — Trouxe canja de galinha. Lydia disse que você não comeu desde esta manhã.
Os olhos de Althea se voltaram para ele.
— Você não precisava se dar a esse trabalho.
— Não é trabalho se eu quis fazer.
Antes que ela pudesse responder, Josh veio correndo por trás dela.
— Papai!
O rosto de Daven se suavizou em um sorriso pequeno, mas cheio de calor. Ele se agachou, abrindo os braços, e Josh se lançou neles.
— Você já comeu, campeão?
— Comi! Mas a mamãe não. — Respondeu Josh rapidamente.
Daven ergueu os olhos para Althea.
— Você ouviu.
Ela suspirou, o canto da boca estremecendo.
— Vocês dois são exatamente iguais.
— Eu posso pegar os pratos! — Anunciou Josh, orgulhoso. — Papai, você vai comer com a mamãe, né?
— Claro.
A voz de Daven era gentil, e seu olhar ainda mais.
Enquanto Josh corria em direção à cozinha, Daven voltou-se para Althea.
— Ele está se parecendo mais comigo a cada dia.
— Sim! — Disse ela, sem emoção. — E tão teimoso quanto o pai.
— Qual deles? — Os lábios de Daven se curvaram em um sorriso discreto. — Eu ou Chase?
Althea olhou para ele por um longo momento, então baixou os olhos.
— Os dois.
Eles se sentaram juntos à mesa de jantar.
Grace estava em sua cadeirinha ao lado de Althea, enquanto Daven ajudava Josh a distribuir as colheres e os guardanapos.
O ar parecia estranhamente calmo, calmo demais para uma casa que havia perdido alguém tão recentemente.
— Papai, quando posso visitar seu escritório de novo? — Perguntou Josh, animado. — Quero ver a sala grande de reuniões!
Daven riu baixo.
— Você quer ver a sala de reuniões ou a máquina de café de que gosta?
— Os dois! — Josh abriu um sorriso. — Mas não se esqueça: também quero sentar na sua cadeira.
— Certo! — Disse Daven, com uma risada tranquila. — Mas só por um pouquinho. Aquela cadeira não é grande o bastante para nós dois.
Althea observou os dois.
Havia algo dolorosamente bonito naquele momento, uma mistura silenciosa de perda e vida, como se o mundo se recusasse a parar de seguir em frente.
Daven captou seu olhar.
— Promessas me assustam agora. — Disse ela suavemente.
— Então deixe esta ser diferente. — Murmurou ele. — Deixe que ela seja o motivo para você continuar resistindo.
Na ponta da mesa, a vozinha de Josh atravessou o ar, inocente, mas cheia de significado.
— Mamãe, o papai não vai embora, né?
Althea congelou, fitando os olhos do filho, aqueles mesmos olhos que refletiam os de Daven.
Daven voltou-se para ele com um sorriso gentil.
— Não, campeão. O papai está bem aqui.
Josh sorriu, então sussurrou:
— O papai Chase ficaria feliz em saber que o papai Daven está cuidando da gente.
As palavras atingiram Althea como um golpe suave, e ela abaixou a cabeça enquanto lágrimas escorriam por suas bochechas.
Daven se aproximou e pousou a mão com delicadeza em seu ombro.
— Chase nunca quis que você se quebrasse. — Disse ele, a voz pouco acima de um sussurro. — Ele queria que você vivesse. Eu também quero.
Althea cobriu o rosto com as mãos trêmulas.
— Eu nem sei mais como viver, Daven.
Ele inspirou fundo.
— Comece pelas pequenas coisas. Coma. Durma. Sorria pelas crianças. E me deixe ficar, nem que seja só para garantir que você faça isso.
O silêncio voltou a preencher a sala, mas desta vez era quente, não pesado.
Então Josh falou, com a voz pequena e sincera:
— Mamãe, sorria. O papai adora quando você sorri.
Althea olhou para ele, depois para Daven.
Devagar, pela primeira vez no que pareceu uma eternidade, seus lábios se curvaram.
O sorriso era frágil, discreto, mas real.
Daven a observou e, naquele momento, soube: o caminho à frente ainda seria longo.
Mas, naquela noite, a casa já não parecia vazia.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: O Arrependimento Dele - Ex-Marido Me Quer de Volta
Tô super indignada cm esse livro. Nossa cm pode o cara tratou ela cm um ND . Aí ela encontrou um homem pra dar TD o q o outro não fez. E aí a autora decidiu matar o homem q a ajudou a se sentir viva e colocar novamente o daven . Como pode o chese morrer pra q daven fosse feliz novamente . Nossa eu nka li um livro e sentir tanta repulsa. Pq o devendo mereceu felicidade enquanto q foi suporte e afeto teve q morrer. Nossa tô frustrada de verdd...