Naquela manhã, os passos de Josh ecoaram pelo corredor antes mesmo de Althea terminar de colocar o café da manhã na mesa.
O adolescente alto, de ombros largos, parou à entrada da cozinha, ainda parecendo um pouco sonolento, mas seus olhos claramente procuravam por alguém.
— Mãe! — Disse ele, com a voz calma e firme, muito mais madura do que costumava ser. — Onde está o papai? Ele ainda está no quarto? Quer que eu vá chamá-lo?
Althea olhou por cima do ombro e lhe deu um sorriso discreto, as mãos ocupadas em preparar a lancheira de Grace. O aroma doce e quente do pão recém torrado pairava no ar, tentando qualquer um a pegá-lo junto de uma xícara de café quente.
— Sente-se primeiro. Você está cheio de perguntas esta manhã.
Josh soltou um suspiro baixo.
— Dá para não colocar muitas rodelas de cenoura na minha?
Althea riu.
— Certo, durão.
Ele retribuiu com um pequeno sorriso.
— Então... Onde está o papai?
Ela fechou a tampa da lancheira de Grace.
— O papai precisou viajar a negócios para fora do país. Surgiu de repente ontem à noite. Ele queria se despedir, mas vocês dois já estavam dormindo.
— Ah... Que pena.
Josh expirou, desta vez por mais tempo.
— Hoje tenho a final de basquete entre as turmas. Se o papai não estivesse tão ocupado, eu queria que ele visse, nem que fosse só por um momento.
Althea se aproximou e bagunçou os cabelos dele.
Josh havia herdado tanto de Daven: os cabelos grossos, levemente ondulados, os olhos azuis e claros. Qualquer pessoa que olhasse para ele podia ver o reflexo de Daven mais jovem.
— Que tal nós irmos no lugar dele? — Ofereceu ela suavemente. — Eu e tia Lydia.
Josh pensou por um instante, então assentiu com um pequeno sorriso de aceitação.
— Tudo bem. Vou esperar vocês duas.
Alguns minutos depois, Grace apareceu se arrastando, ainda com seu pijama de unicórnio e agarrada ao seu bichinho de pelúcia favorito.
Seus olhos ainda nem estavam totalmente abertos, e ela quase tropeçou na perna de uma cadeira.
— Cuidado, Grace. — Murmurou Josh, firmando-a e ajudando-a a se sentar.
— Onde está o papai? — Ela perguntou assim que se acomodou, com a voz pequena.
Althea colocou um copo de leite diante dela, e Grace bebeu imediatamente.
— O papai teve uma viagem urgente de trabalho. — Explicou Althea com delicadeza. — Então ele não vai conseguir tomar café da manhã conosco pelos próximos dias.
Grace encarou a mãe, os olhos marejando.
— Ah... Entendi.
Ela esfregou os olhos com as costas da mão.
— Eu quero o papai.
Althea se aproximou e acariciou a cabeça da filha.
— Meu amor, o papai vai fazer chamada de vídeo conosco no jantar. Você pode contar a ele tudo o que quiser.
Grace mordeu o lábio, ainda abatida.
— Mas o papai não disse nada antes de ir embora. Foi tão urgente que ele esqueceu de mim?
Grace costumava dizer coisas dramáticas assim. Mas, no fundo, Althea não podia negar um pequeno lampejo de gratidão, porque o vínculo entre Grace e Daven sempre havia sido extraordinário.


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