Cale não negou.
— Não apenas pública. — Disse ele. — Quero que aconteça em um momento que ele não possa controlar.
O silêncio permaneceu entre eles por alguns segundos.
Por fim, Arron assentiu.
— Está bem. Vamos ajustar a operação conforme o seu cenário.
Cale voltou sua atenção para a tela, que agora reprisava a coletiva de Noel. Pouco depois do fim da transmissão, Noel havia sido escoltado para fora sob proteção policial. Dois policiais caminhavam ao lado dele enquanto ele passava pelas portas da sala de controle.
E, além dali, ele ainda teria de enfrentar a tempestade: repórteres gritando acusações, câmeras disparando flashes sem parar.
Sem contar a onda de reações brutais que já inundava as redes sociais em resposta à sua confissão.
Ah... Cale deveria ter avisado Noel sobre o que aconteceria depois que ele entrasse no ar.
Selena já estava sob custódia policial. A mídia se movia exatamente como Cale pretendia.
A opinião pública havia mudado.
Restava apenas uma pessoa.
— Um último movimento. — Disse Cale, em voz baixa. — Depois disso... Ele nunca mais terá a chance de se levantar.
***
Enquanto isso, no Grupo Callister.
A sala principal de reuniões no andar VIP estava tomada por tensão desde cedo. Os conselheiros estavam sentados ao redor da mesa comprida, com documentos e relatórios abertos diante de cada um. Na tela de apresentação, os números que detalhavam os prejuízos causados pela manipulação financeira de Bret Frederick apareciam com uma clareza brutal.
Daven permanecia de pé na cabeceira da mesa, calmo, mas resoluto.
Desde sua chegada, Arsen se mantinha ao seu lado, apresentando os dados mais recentes de forma rápida e eficiente para manter a discussão focada. Em vários momentos, Arsen trouxe relatórios adicionais que esclareciam o fluxo dos recursos desviados por Bret.
— As perdas são significativas. — Disse Daven, sem tentar suavizar a realidade. — Vários projetos foram atrasados, nosso fluxo de caixa foi afetado, e a confiança dos investidores caiu de forma acentuada nas últimas semanas.
Alguns conselheiros trocaram olhares inquietos.
Um homem de meia idade, sentado à direita da mesa, foi o primeiro a erguer a mão.
— Considerando a situação atual. — Disse ele, com cautela. — Por quanto tempo a empresa consegue operar sem financiamento externo?
Outro conselheiro falou logo em seguida:
— E quanto ao projeto JiangShe? A mídia continua associando o caso a uma falha de gestão. Se nossa reputação não for restaurada rapidamente, nossos parceiros internacionais podem recuar.
A tensão na sala voltou a se adensar, e os murmúrios baixos se transformaram em um ruído constante ao fundo.
Uma conselheira acrescentou de forma mais direta:
— Francamente, senhor Daven, o mercado está questionando nossa estabilidade. Quais medidas concretas o senhor está tomando para garantir que o Callister não apenas sobreviva, mas se recupere?
Daven não respondeu de imediato.

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