ISADORA VILLANOVA
— Três meses, senhora Lancaster. Se tivermos muita sorte, talvez seis. Mas não posso prometer mais do que isso.
Olhei para o homem de jaleco branco à minha frente, tentando processar aquele ultimato.
— Tem certeza, doutor? Não há nenhum tratamento novo? Uma cirurgia? Meu marido pode pagar os melhores médicos do mundo!
O Dr. Arthur suspirou, tirando os óculos e esfregando os olhos cansados.
— Sinto muito, minha querida. Você tem Síndrome de Fibrose Pulmonar Necrosante Acelerada. É uma condição raríssima.
— Nunca ouvi falar disso na minha vida.
— Poucas pessoas ouviram. Seu tecido pulmonar está se destruindo em uma velocidade que a medicina atual não consegue frear. Está necrosando de dentro para fora.
— Mas... eu sou jovem. Só tenho sentido essa dor no peito há algumas semanas. Essa tosse que não passa... Achei que fosse apenas uma bobagem até o sangue aparecer.
— A síndrome age de forma discreta no início. Quando os sintomas aparecem, como a dor aguda no peito e a tosse com sangue que você relatou, ela já tomou conta dos seus pulmões. É incurável.
Incurável. Essa palavra parecia um absurdo.
— Então... é isso? Eu vou simplesmente parar de respirar?
— Nós vamos te dar o suporte paliativo com oxigênio e morfina, para que você não sinta dor na fase final — ele respondeu, com os olhos cheios de pena. — Você deveria colocar seus assuntos em ordem. Precisa contar para a sua família. Contar para o seu marido.
Contar para Vicente...
— Vou contar para ele hoje à noite — afirmei, me levantando com dificuldade. Uma fisgada no meu pulmão direito me fez curvar por um segundo, mas disfarcei a careta de dor. — Obrigada por ser sincero comigo, doutor.
— Seja forte, Isadora. Estarei à disposição para o que precisar.
Saí da clínica com o envelope dos exames apertado nos dedos.
Tenho três meses. Talvez seis se tiver sorte. Bem, no momento não me considero uma pessoa muito sortuda.
Entrei no carro e voltei para casa. Assim que entrei em casa, fui direto para a cozinha e encontrei a governanta.
— Todos os empregados podem ir para casa mais cedo hoje, Antonieta — falei. — Eu mesma vou preparar o jantar do Sr. Lancaster.
— Tem certeza, senhora? — Antonieta perguntou, franzindo a testa com preocupação. — A senhora está tão pálida hoje. Parece cansada. Deixe que eu cozinho.

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