ISADORA VILLANOVA
Através da janela do táxi, observei os muros da Mansão Lancaster desaparecerem na neblina de San Vesper. Encostei a cabeça no banco, fechando os olhos enquanto um suspiro dolorido escapava dos meus lábios.
Acabou.
Antes de sair daquela casa definitivamente, eu havia voltado ao quarto apenas para deixar a minha aliança e redigir a cláusula 14 do contrato, ela me daria dois milhões de dólares pelo divórcio, mas sei que meus pais não me dariam paz se levasse esse dinheiro. Então, escrevi que não queria nada.
Vicente salvou a minha família da falência oito anos atrás. Mas agora, a conta estava paga. Paguei com três anos da minha juventude, com devoção e humilhações diárias. E, literalmente, paguei com a minha própria vida. Eu não devia mais nada a ninguém.
Peguei o celular na bolsa e disquei o número do médico que havia me dado a sentença de morte mais cedo.
— Aqui é o Dr. Arthur, boa noite.
— Sou eu, doutor — minha voz saiu fraca, arranhando a garganta. — Desculpe ligar a essa hora da noite.
— Não se preocupe com isso. Como você está? Conseguiu conversar com o seu marido?
Uma risada triste, que logo se transformou em um chiado no meu peito, escapou de mim.
— Não tenho mais marido, Dr. Arthur. O meu casamento acabou hoje.
— Meu Deus, minha querida. Seu marido foi egoísta a ponto de te abandonar nesse momento?
— Ele nem chegou a ouvir o diagnóstico, doutor. Ele chegou com os papéis do divórcio prontos e me expulsou de casa.
— Isadora, isso é um absurdo! — A indignação vazava pela voz do médico. — Você está em estado terminal. Onde você está? Vou mandar uma ambulância particular te buscar imediatamente!
— Não! Não precisa, por favor — implorei. — Eu estou dentro de um táxi, indo direto para a rodoviária. Liguei porque tomei a minha decisão e gostaria do seu encaminhamento para a clínica paliativa parceira do senhor.
— Tem certeza, Isadora? A clínica no Vale dos Cedros é no interior do estado, muito longe de toda a estrutura de San Vesper.
— É exatamente o que preciso. Quero passar os meus últimos meses em paz, respirando ar puro, longe dessa cidade. O senhor pode avisar que estou a caminho?


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