EU QUERO UMA DATA
O tilintar dos talheres de prata contra a porcelana era o único som que preenchia a suntuosa sala de jantar dos Salvattore, até que Lorenzo resolveu quebrar o silêncio com o peso de sua autoridade.
Lorenzo limpou o canto da boca com o guardanapo de linho e fixou seus olhos gélidos no neto.
— Eu vi o comunicado oficial hoje cedo, Henry. Sobre a separação com a imigrante.
Começou o patriarca soltando o veneno, com uma voz que não admitia réplicas.
— Quero que saiba que você fez a coisa certa. Uma união que não gera frutos e que se arrastava por sua teimosia não serve aos propósitos desta família.
Henry suspirou, mantendo os olhos baixos em seu prato. O silêncio dele era pesado, carregado de um cansaço que parecia vir da alma. Ele ainda conseguia sentir o vazio após a saída de Zoe, mas na mesa dos Salvattore, sentimentos eram luxos desnecessários.
— O mais importante agora...
Continuou Lorenzo, ignorando o desânimo do neto.
_ É proteger Karen e a criança que ela espera. O sangue Salvattore corre nessas veias. Henry, você deve se casar com ela o mais rápido possível.
Ao lado de Henry, Karen bebia um pouco de água, escondendo um sorriso de vitória por trás do cristal da taça. Ela olhou para Henry com uma falsa modéstia que não enganava ninguém, exceto, talvez, aqueles que queriam ser enganados.
— Eu não quero apressar você, Henry querido...
Disse ela, sua voz suave e calculada.
— Mas confesso que sinto medo. O que as pessoas vão dizer quando minha barriga começar a crescer? Todos sabem que não tenho um namorado há dois anos. Minha reputação, e a das nossas empresas, estaria em jogo quando descobrirem que o filho é seu.
Valentina, a tia de Henry, que sempre prezou pela imagem impecável da linhagem, estendeu a mão e tocou levemente o braço de Karen, num gesto de acolhimento que Zoe nunca recebeu naquela mesa.
— Fique tranquila, querida. Henry vai assumir você e o bebê. Ele sabe o que é honra.
Afirmou Valentina, lançando um olhar severo para o sobrinho.
Lorenzo, então, bateu com o punho levemente na mesa, exigindo a atenção total do neto.
— Eu quero uma data, Henry. Agora. O herdeiro dos Salvattore não pode, sob hipótese alguma, nascer como um bastardo. Não permitirei que o nome da nossa família seja manchado por indecisão.
Henry sentiu o cerco se fechar. De um lado, a sócia que carregava seu filho; do outro, a tradição implacável de seu avô. Ele apertou os punhos sob a mesa, sentindo o peso da responsabilidade esmagar qualquer rastro de sua vontade própria.
— Eu vou resolver isso!

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