Lorenzo não negou. Ele apenas tomou um gole do seu café, mantendo o olhar fixo nas costas do neto.
— Eu quero um bisneto, não quero morrer sem vê-lo casado, Henry. E se eu tiver que trancar você em um salão com as mulheres mais cobiçadas da Itália para que você perceba o que está perdendo, eu o farei.
Henry sentiu um nó no estômago. A festa não era um brinde à amizade, era uma emboscada de ouro e seda.
A ideia de uma festa "blindada" onde Henry não tinha para onde fugir. Seu avô estava empenhado em lhe arranjar uma noiva, e dessa vez não haveria escapatória.
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A noite em seu quarto, Henry observava as luzes de Milão cintilando através do vidro embaçado, sentindo o peso familiar daquela solidão que ele mesmo escolhera. Ele sempre fora um homem de muros altos, convencido de que o envolvimento emocional era uma fraqueza que ele não podia se dar ao luxo de cultivar.
Até que Karen Taylor apareceu.
O Furacão de Nova York, Karen não foi um romance; foi um evento climático. Ela era o caos em forma de sorriso, uma americana de espírito tão livre que parecia carregar o vento nos bolsos. Henry, que jurara nunca se perder em ninguém, viu-se rendido por uma paixão avassaladora que desafiou todas as suas lógicas. Por um breve momento, ele acreditou que o fogo dela poderia aquecer o seu inverno permanente.
No entanto, espíritos livres não aceitam âncoras. Karen amava com a mesma intensidade com que partia, e o desapego era sua única regra inegociável.
O silêncio a ausência e o segredo: Seu avô, pilar de tradição e expectativas, nunca soube dessa história. Henry guardou Karen em uma gaveta trancada da memória, sabendo que o patriarca jamais entenderia como ele se deixou desarmar por alguém tão efêmero.
O vazio já se passaram três anos desde que ela desapareceu sem deixar rastro, transformando-se em um fantasma que ainda assombra a sua vida.
"Amar Karen foi como tentar segurar a luz do sol entre os dedos: por um segundo você sente o calor, mas logo percebe que suas mãos continuam vazias."


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