UM CUIDADO DE MÃE
O frio da tarde ainda castigava as calçadas de paralelepípedo do bairro de Fieira quando Dona Laura plantou os pés em frente à ao bloco do prédio residencial de Luigi. Ela não trazia flores, trazia um ultimato.
Laura não esperou o cumprimento protocolar. Assim que Luigi levantou os olhos já na porta, ela disparou:
— Luigi, acabou a paciência. Ou você coloca um freio no Mattia, ou o próximo papo que eu vou ter não será com você, mas com o delegado na central.
Luigi colocou as mãos no bolso, franzindo o cenho.
— Mas o que foi agora, Laura? Que drama é esse?
— Drama? Seu filho não deixa a Zoe dar um passo em Fieira sem aparecer atrás dela. É na padaria, é na praça, é no caminho da faculdade, do trabalho. Isso não é "paquera", Luigi, é perseguição é STALKER! Minha filha está acuada dentro da própria casa.
Luigi soltou uma risada nasalada, visivelmente irritado com o tom da vizinha.
— Ah, faça-me o favor! O Mattia é um rapaz de sangue quente, ele só está apaixonado. Coisa da juventude, Laura! Você esqueceu como era ser nova? Ele gosta da menina, só não sabe como dizer. É o jeito dele.
— Pois o "jeito dele" é crime!
Rebateu Laura, aproximando-se um passo, a voz baixa e firme.
— Se você não fizer nada hoje, amanhã cedo eu registro a denúncia. Eu não estou brincando, Luigi. Eduque seu filho ou a justiça o fará.
Luigi bufou. O semblante fechado de Laura indicava que ela não recuaria.
— Tá bom, tá bom!
Cedeu ele, irritado.
— Vou falar com o Mattia. Vou dizer para ele sumir da frente da sua filha por uns tempos. Satisfeita? Vocês imigrantes só arrumam confusão por nada.
_ Por um tempo? Você não me entendeu, eu quero que seu filho suma de vez da vida da minha filha e pare com essa palhaçada de seguir ela.

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