FALANDO COM O CHEFE
O escritório de Enzo Mancini, no topo de um dos edifícios mais imponentes de Milão, exalava uma calma que Zoe definitivamente sentia. Ela entrou na sala com o rosto indecifrável, a indignação transparecendo em cada gesto.
— Ela passou de todos os limites, Enzo — começou Zoe, sem preâmbulos. A Karen... ela mexeu os pauzinhos e conseguiu o que queria. Demitiu a Juliana e a Antonella da Salvattore Technologies sem motivo algum.
Enzo levantou os olhos dos relatórios, suspirando com uma mistura de preocupação e reconhecimento. Ele se levantou e caminhou até a janela, observando o movimento da cidade.
— Eu avisei que a Karen era uma mulher perigosa, Zoe. Ela é oportunista. Aproveitou que o avô do Henry está internado no hospital e que a situação ainda é crítica. O Henry está completamente sem cabeça para questões administrativas agora, e ela está usando esse vácuo de poder para limpar o caminho de qualquer um que seja leal a você.
Zoe soltou uma risada amarga, cruzando os braços.
— Sinceramente? vamos ser honestos: o Henry e a noiva se merecem. Existe uma certa justiça poética em ver dois personagens tão similares dividindo a vida. Se ele prefere ignorar o rastro de destruição que ela deixa por onde passa, isso é uma negligência que ele mesmo terá que financiar no futuro. Mas a minha paciência termina onde a injustiça começa.
Zoe fez uma pousa.
— O que me trouxe aqui hoje não foi a vida amorosa desastrosa do Henry, mas o destino da Juliana e da Antonella. É inadmissível que duas carreiras brilhantes tenham sido interrompidas por puro capricho e vingança pessoal. Elas foram demitidas sem uma justificativa técnica sequer, servindo apenas como bodes expiatórios em um jogo de poder onde nunca quiseram jogar. Eu não vou aceitar que o sustento e a dignidade delas sejam sacrificados por causa de um surto de insegurança daquela mulher.

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