UM SÓSIA?
O ar frio e úmido de Londres ficava do lado de fora das vidraças pesadas do The Ritz. No interior, o tilintar discreto de cristais e o aroma de trufas negras criavam o cenário perfeito para uma conspiração de alto nível.
Henry Salvattore girou a taça de vinho tinto, observando o reflexo das luzes no líquido escuro, até que Antônio Tommaso deslizou um envelope de couro legítimo sobre a mesa do restaurante.
— Os detalhes de Londres são sempre mais... definitivos, não acha, Antônio?
Henry comentou, a voz baixa e carregada de uma elegância perigosa.
Antônio assentiu, mantendo a postura impecável.
— Acredito que o conteúdo deste relatório trará a clareza que o senhor busca, Sr. Salvattore.
Henry abriu o documento. À medida que seus olhos percorriam as páginas, um sorriso lento e satisfeito se desenhou em seu rosto. Era um brilho de triunfo que raramente aparecia, mas, quando surgia, significava que o xeque-mate estava próximo.
— Você tem certeza, Antônio?
Henry ergueu os olhos, fixando-os no assistente com intensidade.
— Tem certeza de que este é, de fato, o homem?
— Absoluta senhor, é ele mesmo.
Antônio respondeu, sem hesitar.
— Não restam dúvidas. Localizamos o doador original do material genético. E o detalhe mais fascinante, senhor, é a ironia da escolha: a própria senhorita Karen o selecionou a dedo na época. Ela queria alguém que fosse o seu reflexo físico.

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