VINGANÇA PARTE 3
Lorenzo arfou, a voz falhando pela primeira vez, a mão apertando o tecido fino do colete.
— Você quer me matar de vergonha antes que meu o coração pare de vez?
— Eu quero que o senhor viva para ver a verdade.
Rebateu Henry, os olhos marejados.
— Mas, para isso, o senhor precisa parar de gritar e me ouvir antes que o seu coração decida por nós dois. Garanto que tenho provas que esses filhos não são meus.
O silêncio que se seguiu foi cortante. Lorenzo respirava com dificuldade, os olhos fixos nos de Henry, procurando a hesitação no neto que confirmasse que sua teoria, mas encontrou apenas uma determinação dolorosa.
No canto, Karen Taylor agarrava as mãos do pai, as lágrimas borrando a maquiagem cara.
— É uma injustiça, papai!
Soluçava ela, a voz carregada de um desespero teatral.
— Esses filhos são do Henry! Eu juro! Eu nunca vi esse tal de Sam Anderson na minha vida. É um complô para me destruir!
Mark Taylor, um homem cuja honra era tão rígida quanto seu colarinho engomado, sentiu o sangue ferver. Ver a filha única humilhada no altar, diante da elite da cidade, era um insulto que ele não toleraria.
— Fique aqui, Karen. Eu vou acabar com essa palhaçada agora mesmo.
Rugiu Mark.
Ele atravessou o corredor da igreja como um furacão. No altar, Henry Salvattore permanecia gélido, a postura impecável e o olhar de desprezo fixo em Karen.
— Henry!
Gritou Mark, a voz ecoando pelas abóbadas.
— Isso não vai ficar assim! Você humilhou minha filha diante de Deus e dos homens. A família Taylor vai destruir os Salvattores por essa calúnia!
Henry nem sequer piscou. Com um gesto sutil de cabeça, ele chamou seu assistente pessoal.
— Antônio, a pasta.
Antônio Tommaso surgiu das sombras, entregando um envelope de couro a Henry. O noivo o abriu e estendeu os papéis diretamente para Mark.
— Leia, Mark. Antes de falar em vingança, aprenda a conhecer a cobra que criou sob seu teto.
Mark pegou os papéis. Seus olhos correram pelas fotos de Karen no Texas e, finalmente, pararam no laudo clínico. O teste de DNA era incontestável: os gêmeos no ventre de Karen eram filhos de Sam Anderson. O mundo de Mark girou. Ele ficou branco, o pânico substituindo a fúria.
Ele caminhou lentamente até Karen, que tentava manter a pose de vítima. Sem dizer uma palavra, Mark desferiu uma bofetada que ecoou por toda a igreja.
— Sua estúpida!
Ele sibilou, a voz trêmula de ódio.

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