Minutos depois, o silêncio pesado e quase sufocante da sala foi brutalmente partido. O bipe curto e agudo do celular ecoou pelas paredes, fazendo o ar vibrar.
Nicola deu um leve sobressalto. Seus dedos, tensos pela expectativa, alcançaram o aparelho sobre a mesa de madeira em um movimento rápido, quase instintivo. Ao erguer a tela iluminada contra a penumbra do ambiente, o nome de Caterina reluziu em letras miúdas, piscando como um farol. Era o sinal verde. A mensagem que ele aguardava há horas, com o estômago amarrado em nós, finalmente estava ali: os dados completos e definitivos da indicação.
O coração dele acelerou uma batida. Com um toque ágil no visor, o documento foi carregado. A luz fria do display refletiu-se em suas pupilas enquanto os olhos de Nicola, famintos por respostas, corriam em um zigue-zague frenético pelas linhas pretas e densas que cortavam o fundo branco da página:
Nome: Anita Galli
Idade: 25 anos
Formação: Psicóloga
Ele encarou a tela por alguns segundos, processando o perfil. Jovem, psicóloga... Perfeito para o que precisavam. Sem perder tempo, Nicola encaminhou os dados direto para o andar do Departamento Jurídico, anexando uma nota de urgência: Minuta padrão de confidencialidade. Para ontem.
A espera não foi longa. Exatos trinta minutos depois, a porta de sua sala se abriu sem cerimônias. Romana entrou a passos firmes, segurando um envelope pardo lacrado, ainda com o cheiro característico de papel impresso às pressas. Ela o depositou sobre a mesa com um aceno silencioso de cabeça e se retirou.
Nicola rompeu o lacre. O som do papel rasgando ecoou na sala. Ele puxou as folhas grossas e, com o cenho franzido, começou a repassar cada uma das cláusulas do contrato. Cada parágrafo ali garantia que, se Anita Galli abrisse a boca, as consequências seriam irreversíveis.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: O CEO Italiano e a Brasileira