Faltavam poucos minutos para o encerramento do expediente quando Juliana cruzou o andar executivo em direção à sala da presidência. Seus passos ecoavam discretos pelo tapete imaculado, mas seu coração batia com uma força ensurdecedora. Na recepção, Romana, a secretária executiva, ergueu os olhos do monitor. Ela já havia recebido instruções estritas: no momento em que Juliana Rossi aparecesse, Nicola Moretti deveria ser avisado sem um segundo de atraso.
Romana interfonou imediatamente, a voz profissional, mas com grande tédio:
— Senhor Moretti, a senhorita Rossi está aqui.
A resposta veio pelo viva-voz, imediata e firme:
— Deixe-a entrar, Romana. Agora mesmo.
Juliana respirou fundo, ajeitou a postura e empurrou a pesada porta de madeira nobre. Ao entrar, deparou-se com Nicola de pé, atrás de sua imensa mesa. Ele a recebeu com uma cortesia impecável, embora seus olhos guardassem uma intensidade calculista. Com um gesto elegante, ele indicou a cadeira de couro à sua frente.
— Creio que você já teve tempo suficiente para ler todas as cláusulas do nosso acordo de namoro falso.
Começou ele, indo direto ao ponto, com a voz grave e controlada.
Juliana sentou-se, mantendo o queixo erguido para esconder o nervosismo que ameaçava traí-la.
— Li sim. Cada linha.
Nicola inclinou-se ligeiramente para a frente, cruzando os dedos sobre a mesa. O olhar dele fixou-se no dela, analítico.
— E qual será a sua resposta, senhorita Rossi?
O silêncio pesou no ambiente por alguns segundos. Juliana desviou o olhar por um breve instante, sentindo o peso da decisão que mudaria sua vida pelos próximos meses. Ela soltou um suspiro longo, resignada, antes de encarar o poderoso empresário novamente.
— Eu aceito!
Disse ela, a voz firme, apesar de tudo.
— Vamos assinar o contrato.


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