Do outro lado da cidade de Milão, a atmosfera na suíte presidencial 436 do Hotel Real era de pura combustão. Caterina andava de um lado para o outro, os saltos agulha estalando contra o piso de mármore com uma fúria ritmada. No momento em que soube que a escolhida para interpretar a namorada de fachada de Nicola pelo próximo ano seria justamente Juliana, o sangue da loira ferveu.
— Você está me dizendo que eu devo aceitar essa insanidade?
Caterina virou-se abruptamente, os olhos faiscando de indignação.
— Que você vai apresentar ao mundo, e pior, à sua própria família, aquela funcionária petulante do departamento de Relações Públicas do Grupo Moretti?
Nicola, que até então observava a vista da janela com as mãos nos bolsos do paletó já desalinhado, soltou um suspiro pesado, carregado de exaustão. Ele passou a mão pelo rosto antes de encará-la.
— Cate, pela milésima vez, tente entender a mecânica da situação.
Explicou ele, a voz controlada, mas visivelmente desgastada pelo cansaço.
— Meu avô apareceu de surpresa na empresa hoje. Ele está absolutamente convencido de que a namorada misteriosa que o Valério mencionou no jantar passado na mansão Moretti é a Juliana. Eu não podia arriscar o plano trazendo a sua amiga Anita; o velho Donato a desaprovaria no primeiro segundo. Mas com a Juliana... o entrosamento foi imediato. Eles mal trocaram meia dúzia de palavras e ele já estava encantado por ela. Foi um golpe de sorte dentro do caos.
A menção ao patriarca pareceu injetar ainda mais veneno nas veias de Caterina. Ela cruzou os braços, rindo com escárnio.
— Aquele velho me odeia. Sempre odiou! Ele forçou você a se casar com a Gina no passado puramente para nos afastar, Nicola. E agora, do nada, ele se derrete por uma funcionária qualquer? Por uma ninguém? E eu nunca sou boa o bastante para ele? Eu não aguento mais toda essa humilhação.

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